Mykonos-74

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CAPITULO 8
ANITA, SIBILA E CELESTE
    Percilio se tornou um líder justo e aberto a ouvir sempre. Todo o aprendizado que obteve durante o tempo que morou na casa da floresta com Claudius e Sara, foi de grande valia, com o tempo, não só manipulava unguentos, como também conseguia indicar chás e outros preparados com muita precisão. Sua fama se espalhou além da Grande Pedra, muitos nativos e até moradores de Comunidades próximas, costumavam ir até ele para buscar alívio para suas dores. Rafael se tornou o grande colaborador, apesar de ter um grande conhecimento sobre ervas e como utilizá-las, sempre se surpreendia com a facilidade com que Percilio conseguia fazer um diagnóstico e a seguir indicar o que fosse preciso para curar o mal que acometia o doente.
    Contrariamente à vida como líder e curandeiro, que ia caminhando sem maiores percalços, sua vida pessoal, ia de mal a pior. Mirtes se mostrou uma mãe insensível, não conseguia demonstrar carinho pelas duas meninas, muito menos prover o básico para uma vida saudável e feliz. Não cozinhava, nem se preocupava em cuidar de sua caverna, passava os dias vagando pelas redondezas ou conversando com amigas, tão desocupadas como ela. Percilio de início, tentou corrigi-la mas vendo que não surtia nenhum efeito, desistiu. Muitas noites, ela dormia ao relento, se negando até mesmo a ocupar seu lugar na caverna da família. As meninas cresciam um tanto quanto alheias a existência da mãe, Sibila completara sete anos e Anita seis, viviam sob os cuidados de Mariane que se mostrava uma tia amorosa e sempre pronta a atender as menores necessidades das sobrinhas, com isso o vínculo que nasceu muito além desta vida se fortalecia.
    Faltavam três dias para Percilio completar vinte e cinco anos de idade quando uma visita inesperada chegou a Grande Pedra. Um antigo morador da Vila Cantar, de nome Hipólito,  que havia se mudado para Semiris, depois que ficara viúvo, veio fazer uma visita a seu amigo Jonas. Era o finalzinho da tarde, ao se aproximar do destino, ele se encontrou com os trabalhadores que chegavam da plantação. Quando Jonas o viu, ficou felicíssimo, pois tinha muito apreço pelo velho nativo. Depois das saudações, Hipólito chamou Percilio e disse:
    – Rapaz, já ouvi falar muito de você, sua habilidade em manipular substâncias que curam está correndo para todos os lugares, eu vim até aqui por três motivos, primeiro para pedir que você me auxilie a curar um mal que acomete minhas pernas e me impede de andar como antes, em segundo lugar para rever meu amigo Jonas e em terceiro para te trazer um recado.
  Curioso, Percilio se adiantou, dizendo:
   – Espero que seja de meu pai Claudius, a anos não tenho nenhum contato com ele e minha mãe Sara.
  Esboçando um largo sorriso, o nativo disse:
   – Eu não sei porque, mas nessas horas o coração sempre fala mais alto, quando a saudade aperta nós conseguimos “chamar” aqueles que nos são caros apenas com a força do nosso pensamento. Prosseguiu.
   – Você acertou! Claudius sabendo que eu viria te procurar, me pediu que dissesse que no início da próxima semana virá lhe fazer uma visita.
   Aimanon/Naim, soltou um grito de satisfação, a simples menção que seu pai Claudius viria se encontrar com ele, devolveu ao rapaz calejado pela vida que sempre lhe cobrava posturas duras, a leveza de um espírito que viveu em uma época onde o Amor e a conciliação sempre falaram mais alto. O menino Naim, perdido na floresta, exultou em poder novamente abraçar aquele que representou o alicerce para que pudesse ser tão útil a tantos homens, mulheres e crianças que deviam sua vida a ele.
   Passado o primeiro momento de emoção, perguntou a Hipólito:
   – E Sara? Ela virá também?
  O amigo, com ares de ter deixado a melhor parte da boa notícia para o final, disse:
   – Sim, meu filho, ela virá com Claudius.
   Jonas, ao ver o filho tão feliz, se aproximou dos dois e perguntou:
   – O que se passa? Pelo visto temos boas novas!
 Percilio, sentindo uma ponta de curiosidade nas palavras de seu pai, tentou minimizar sua alegria, pois sabia que Jonas sentia culpa e ao mesmo tempo ciúmes do tempo em que foi amparado e amado pelo casal. Respondeu:
   – Sim pai, Hipólito acaba de me informar que Claudius e Sara virão nos visitar antes que se inicie a estação das chuvas.
   – Que sejam bem-vindos. Respondeu Jonas secamente e se afastou.
 Uma nuvem de energia de baixíssima vibração pairou sobre os dois amigos que se entreolharam, entendendo que Jonas não gostou muito da boa notícia. Percilio pensou:
   – Meu pai devia ser grato a Claudius e Sara e não agir desta maneira, tenho que tomar muito cuidado para não magoá-lo.
  Hipólito antevendo o mal-estar que estava por vir, disse:
   – Filho, não se preocupe, seu pai entende seu apreço pelo feiticeiro, afinal ele é um homem muito inteligente e sensato.
   Neste momento, chegaram até a plataforma de areia que emoldurava a entrada da Grande Pedra, Hipólito parou extasiado com a visão que se descortinava diante dele, sentia que algo de muito familiar se escondia no interior daquela formação rochosa. Na verdade, em uma época remota, ele próprio, o nativo Hipólito, havia sido morador da Grande Pedra, nasceu lá e viveu até os quinze anos de vida, quando seus pais e todos os moradores abandonaram o local por força de um grande maremoto que atingiu a ilha e provocou grandes ondas que acabou por assustar os nativos que viviam lá desde tempos imemoriáveis. Naquela vida, Hipólito que se chamava Her e foi o precursor do sentimento de união que se vê entre os moradores da Vila Cantar era muito querido. Tanto Doutor Alecsander, como o francês Merriot foram membros de sua família. Com a morte da esposa, sem filhos, ele se mudou para Semiris, mas não estava conseguindo se adaptar ao local, pois sentia que não era lá que ia viver seus últimos dias.
 Hipólito ficou longos minutos observando a formação rochosa, parecia que analisava cada cantinho com muita atenção. Percilio ao seu lado, não sabia o que dizer, o velho nativo dava a impressão que estava hipnotizado. Isso durou tempo suficiente para outros moradores se aproximarem, inclusive muitas crianças, entre elas Sibila e Anita. Assim que viram o pai, começaram a gritar de alegria, isto fez com que Hipólito retornasse à realidade. Percilio se retirou, ladeado pelas duas meninas.
    A alegria estava no ar, não era muito comum os moradores receberem visitantes e quando isto acontecia, era um acontecimento. Os irmãos de Jonas, Josias e Rubens, depois de se refrescarem da lida, voltaram para conversar com o responsável pela vida tranquila e digna que conseguiram construir nestas terras tão distantes. O acontecido nos dias posteriores à chegada na Grécia foi o divisor de águas na vida da Família Massina.
    Josias perguntou curioso:
    – Que ventos o trazem por estas paragens?
    Neste momento, todos já estavam acomodados, sentados nas pedras que ladeavam a Grande Pedra, além dos dois irmãos, Rafael e Cirilo também faziam parte do grupo que recepcionavam o velho nativo.
    – Vim em busca de alento para as dores nas pernas que teimam em me molestar. Fiquei sabendo que o filho mais velho de Jonas tinha muito conhecimento sobre como cuidar destes males. Mesmo enfrentando uma jornada tão cansativa, decidi vir até aqui para receber ajuda.

continuação…

 

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