citação Mykonos-55

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  Claudius se espantou com esta afirmação, Sara lhe disse que a única coisa boa de Nael se mudar para a Grande Pedra era se ver livre de sua irmã, neste caso, ela continuará morando com eles. O alquimista replicou:
  – Mas filho, ela é sua sogra, é bem provável que Mirtes piore se for separada da mãe.
Nael prosseguiu irredutível:
  – Esta decisão já está tomada, não a levarei, mesmo correndo o risco de Mirtes piorar ou mesmo de não querer ir. O que posso fazer é permitir que ela more na casa que construímos, assim mamãe não terá mais que suportá-la.
   Claudius se conformou e não mais tocou no assunto, sua irmã era mesmo uma pessoa de muito difícil convivência, mas isso não justificava tanta intolerância. É claro que Nael tem suas razões para impedi-la de ir, pensou ele.
   No dia seguinte, fizeram o que foi combinado, saíram como sempre para o trabalho. Mirtes estava de mal humor e nem tão pouco se despediu do marido. Nael não tinha dormido bem, o sono foi sobressaltado com sonhos onde ele se via na Grande Pedra, absolutamente sozinho, como se todos houvessem desaparecido como por encanto. Caminhou muito, passou rapidamente por Semiris, chegou ao porto, a partir daí, diminuiu o passo e começou a relembrar aquele dia a quase quatro anos atrás. Por volta das dez horas da manhã chegou a praia onde costumava pescar com seu pai, lembrou-se de muitos detalhes de inúmeros passeios carregados de amor e carinho vivenciado por ele na época que era um garoto, mais quinze minutos, atingiu a plantação, o que via agora, era muito diferente do que guardava em sua memória. O milho, a mostarda, a lentilha, substituiu a plantação de algodão, que naquela época reinava soberana. Ao longe percebeu que alguns trabalhadores colhiam feijão, imediatamente reconheceu seu tio Josias, que em companhia de Laercio e seu sogro Jeremias, faziam este trabalho. Assim que os viu, apertou o passo e em seguida começou a correr, gritou:
   – Tio! Sou eu, Lucas!
  Josias e os amigos se viraram rapidamente em direção a voz tão conhecida.  A partir daí o coração de Nael disparou e um turbilhão de sentimentos sublimes invadiu o seu espirito. Todos se abraçaram muito, Josias se ajoelhou e em agradecimento ao Grande Deus orou pela graça de ter o sobrinho de volta. Aos poucos, os trabalhadores foram se aproximando, Cirilo e Jonas, não acreditaram no que viram, desde o dia que Lucas havia partido sozinho, pensaram que jamais o veriam novamente, tanto é que ninguém sabia do reencontro. Jonas tinha decidido guardar segredo para não criar expectativa e sofrimento antecipado, imaginou que no dia seguinte Cirilo traria o irmão para a Grande Pedra e todos saberiam, mas como este voltou sozinho, dizendo que Lucas havia partido sorrateiramente sem que ele percebesse, Jonas resolveu não dizer nada a ninguém, nem mesmo a Maila e aos outros filhos. Se Lucas tinha decidido prosseguir vivendo com a nova família ele respeitaria.
    – Filho!! Gritou Jonas ao longe.
  O rapaz se voltou e correu em direção ao pai, mais abraços, lágrimas e um vendaval de amor que trazia muito agradecimento e alivio. Logo, todos formaram um círculo e começaram a arremessar o corpo de Lucas para o alto enquanto gritavam: VIVA!!  em Italiano e em Grego. Assim que os ânimos se acalmaram, Lucas pediu a palavra, começando a dizer:
   – Amigos, eu sei que estão todos curiosos para saber maiores detalhes do que aconteceu comigo, mas agora, preciso reencontrar minha mãe e meus irmãos, logo mais à tarde nos reuniremos e contarei tudo.
   Jonas também falou:
   – Se aproxima da hora do almoço, então vamos encerrar os trabalhos por hoje, retornaremos juntos à Grande Pedra, daqui para noite é só festa, afinal meu filho está de volta ao lar.
   Neste momento, um rapaz franzino com feição de poucos amigos, segurou o braço de Lucas, dizendo:
   – Irmão, você se lembra de mim? Sou eu Lêntulo!
Lucas ficou imóvel por um instante, pois uma voz velha conhecida lhe disse:
   – Percilio, este rapaz precisa muito de você, lhe dê todo o seu amor!
  Como o irmão não dizia absolutamente nada, Lêntulo ameaçou se afastar, mas neste momento dois braços o agarraram  pela cintura e rodopiou seu corpo no ar, a seguir Lucas gritou:
   – Obrigado Grande Deus por cuidar deste menino!
Duas lágrimas escorreram pelo rosto do garoto que jamais tinha chorado na vida, até Jonas achou estranho, seu filho caçula sempre lhe pareceu imune a qualquer emoção, o que ele mais fazia era se esquivar, não conversava com ninguém, não participava dos acontecimentos da Comunidade, muito menos demonstrava qualquer tipo de ligação com outras pessoas, a não ser com a mãe.
   A volta foi muito demorada, caminharam a passos lentos para dar tempo que Lucas revisse o caminho que tantas vezes havia percorrido antes de desaparecer. Assim que se aproximaram o suficiente, Lucas pediu que todos parassem pois queria que seu pai fosse sozinho até a Grande Pedra e trouxesse sua mãe, para que ela não ficasse muito emocionada com o reencontro, caso ele chegasse de repente. Disse para Jonas preveni-la que algo maravilhoso havia acontecido, mas que ela só saberia se o acompanhasse, enquanto isso aguardaria protegido pelas imensas pedras que circundava a Comunidade.
   Jonas não sabia se ria ou se chorava, entrou na caverna que abrigava sua família e viu que Maila supervisionava a refeição que estava cozinhando no fogão, na mesa, estavam os dois netos, filhos de Mirla, que aguardavam o almoço.          Assim que Maila viu o marido, disse:
   – O que você faz aqui, não deveria estar na plantação? Aconteceu alguma coisa?
    Jonas sorriu e disse apenas, onde estão Mirla e Mariane?
   – Mariane foi buscar água no riacho e Mirla está na casa de Luizinha ajudando a cuidar de Pedro que está adoentado. Por quê?
   – Bem, vá chamar Mirla, mas não diga nada, enquanto isso, dá tempo para Mariane chegar.
    Maila achou estranho o comportamento do marido, mas fez o que ele pediu.
    Assim que bateu à porta da caverna de Luizinha e Laércio percebeu que havia algo errado, demoraram para abrir e quando ia bater novamente, Mirla abriu a porta e disse:
   – Mamãe, graças a Deus você chegou, Pedro não está bem, o corpo treme e os olhos estão se revirando.
   Maila se assustou ao ver a cena, desde a morte de Joninho, Laurinha se recusava terminantemente de cuidar dos filhos, voltou  a morar com os pais e dizia que partiria assim que tivesse uma oportunidade. As cinco crianças ficaram aos cuidados dos avós e das tias que se revezavam para que nada lhes faltasse. Pedro tinha cinco anos e era o filho caçula de Joninho; Luizinha e Mirla não sabiam o que fazer, o garoto parecia estas prestes a ter uma síncope quando Maila chegou.
   – Fiquem com ele que vou buscar ajuda! Exclamou rapidamente a avó.
      Assim que voltou a sua caverna, percebeu que Jonas não estava mais lá, tinha ido atrás de Mariane, encontrou apenas as duas crianças, filhos mais velhos de Mirla, Amara de sete anos e Caio de cinco. Eles ficaram aguardando a volta da avó, conforme o avô pediu. Maila ficou confusa, sabia que o neto corria risco de vida, então, decidiu ir até a plantação, em busca de Rafael, nem pensou em procurar Jonas que estava bem mais perto. Pediu que Amara dissesse ao avô que Pedro estava muito doente e ela tinha ido até a plantação procurar Rafael.

continuação…

 

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