Mykonos-54

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   Mirtes saiu batendo a porta, deixando o marido muito contrariado. Assim que voltou, carregando a menina, Nael já havia se refrescado e estava deitado na cama no cômodo anexo à cozinha. No momento que viu o pai, Sibila abriu os braços e se jogou na cama ao seu lado. Brincaram um pouco, mas algo chamou a atenção de Nael, ele ouviu vozes que vinham da cozinha. Perguntou para esposa:
  – Quem está aí?
  – É minha mãe querido, ela veio conversar um pouquinho com você.
  – Conversar comigo? Sobre o quê?
  Assim que disse isso, levantou os olhos e viu a sogra parada ao lado do batente da porta. Sibele falou:
  – Fiquei muito feliz que você reencontrou sua família. Claudius nos disse que pretende voltar a morar com eles, é claro que levará minha filha e Sibila, vim te dizer que eu também vou com vocês, não me dou bem com Sara e novos ares vão me fazer bem.
  Nael olhou para a sogra atônito, foi tomado de surpresa, ele jamais imaginou que algo parecido pudesse acontecer, mas mesmo assim tentou ser o mais direto possível.
  – Sibele, eu ainda não decidi se vou mesmo morar com meu pai de verdade, mas caso seja esta a decisão, irei para lá com Mirtes e Sibila, você fica.
  Mirtes, que acompanhava a conversa escondida no cômodo anexo, entrou no quarto de repente sem que houvesse tempo para que a mãe desse alguma resposta, disse colérica:
  – Você não ouse proibir minha mãe de ir conosco, se insistir nesta ideia esdruxula, eu não irei e você nunca mais colocará os olhos em Sibila.
   Nael jamais imaginou que a esposa tomaria partido da mãe daquela maneira, mas não poderia deixar que os acontecimentos tomassem um rumo onde ele fosse obrigado a fazer algo que não queria, desde a mentira da falsa gravidez, Nael apenas suportava a sogra, e ele jamais cederia. Respondeu com autoridade.
   – Mirtes saia e leve sua mãe daqui, eu já decidi, se realmente nos mudarmos, ela não irá conosco, e nem pense em fazer o que você ameaçou, minha filha irá comigo.
   Como Mirtes não o atendeu, levantou-se e saiu, carregando Sibila nos braços, ignorando totalmente a sogra que continuava de pé, muda, ao lado do batente da porta. Assim que o genro saiu, Sibele disse para filha:
   – Não se preocupe, eu fico. Você e Sibila vão com ele, afinal não faço parte da família.
   – Como assim? Perguntou Mirtes indignada.
   – Você é minha mãe e avó da nossa filha. É claro que é da família!
   – Não filha, sua família agora é seu marido e Sibila, eu fico. A muito venho percebendo que Nael não gosta de mim, acho que ele sabe do primeiro bebe e acha que fui eu que armei toda aquela mentira.
   Mirtes ficou pensativa com a resposta da mãe e a seguir disse:
   – Bobagem sua, Nael nunca tocou no assunto, ele é um idiota, acreditou que eu estava grávida sem ao menos nos relacionarmos como marido e mulher. É claro que é impressão sua e tenha certeza que ele mudará de ideia.
   Sibele, mais contida que a filha, completou:
   – Desta vez você está enganada, aquele dia em Semiris, ele conversou com Dr. Alecsander a sós, aquele velho contou para ele que você não estava grávida, tenha certeza disso. Portanto, vá com calma, não o desafie, que quem vai sair perdendo é você.
   Mirtes respondeu de pronto.
   – Está bem mamãe, não acredito em uma palavra do que você está dizendo, mas mesmo assim não vou tocar mais no assunto, quem sabe ele muda de ideia até o dia da mudança, se é que vamos nos mudar mesmo. Ouvi dizer que os moradores da Grande Pedra são arredios e de poucos amigos, talvez eles não o queiram de volta.
   – Mas você já tinha ouvido falar deste lugar? Perguntou Sibele.
   – Na manhã do dia que tio Claudius foi nos buscar em Lagos eu conversei com Meirinha, lembra dela? A filha de Neta, a mulher que fazia doces de banana?
  A mãe balançou a cabeça afirmativamente.
  – Então, eu queria saber se ela conhecia o local na floresta para onde íamos no mudar, ela me disse que não conhecia muito mais além de Semiris. O que ela já tinha ouvido falar era de uma Comunidade, cujos moradores viviam em cavernas naturais, feitas pelo mar a muitos anos atrás, e estes, eram arredios e quase não eram vistos pelos moradores de outras localidades. Parece que é neste lugar que Nael nasceu.
   Era a primeira vez que Sibele ouvia algo sobre o local de origem de seu genro. Quando Claudius comunicou a família que Nael havia se encontrado com o pai e o irmão, disse apenas que seus pais moravam em um local chamado Grande Pedra. Sibele ficou muito curiosa pelo fato de morarem em cavernas. Disse para filha:
   – Mirtes, este lugar deve ser horroroso de se morar, onde já se viu, cavernas feito pelo mar, deve ser úmido e fétido.
   – Mãe, eu quero que você fique bem quieta, vamos esperar o que Nael vai decidir, eu com certeza, tenho receio de ir morar em um lugar como este.
   Enquanto isso, Nael se encontrava com Claudius e Sara, ele ficou feliz por Mirtes e Sibele terem ficado em sua casa, assim poderia conversar com mais tranquilidade.  O casal estranhou o fato de Cirilo não ter vindo junto com ele, conforme tinha sido combinado. Nael explicou que ainda não tinha se decidido se iria mesmo morar com sua família original, caso ficasse, preferia que ninguém soubesse onde era seu novo lar. Sara ficou felicíssima com esta afirmação, pois neste caso, ainda havia uma esperança de seu filho não partir. Claudius perguntou o que tinha acontecido para que agora tivesse dúvidas com relação ao seu futuro. Afinal, ele se mostrava tão  resoluto em qual decisão tomaria, tanto é, que Claudius tirou todas as esperanças de Sara com relação a prosseguir tê-lo por perto. Nael explicou:
   – Pai e mãe, os três anos que vivi aqui foram regados de muito amor e carinho. Não há como partir sem olhar para trás, esquecendo o que sinto por vocês dois. O agradecimento é imensurável, não existem palavras que poderiam descrever o que sinto, por isso, tenho dúvidas sim, independente desta história de Percilio que deverá voltar a morar com os seus. Se eu não quiser, não irei.
   Claudius pensou um pouco e falou:
   – Filho, eu compreendo suas dúvidas, mas gostaria de lhe dar uma sugestão, vá até lá, reveja sua mãe e seus irmãos, só depois decida o que fazer.
   Sara só não voou sobre o marido porque uma força imensa a impediu, com esta colocação, ela teve a certeza que perderia Nael. Este respondeu:
   – Está bem pai, você tem razão, preciso rever minha mãe e meus outros irmãos, pois Cirilo me disse que todos sofreram muito com meu desaparecimento, principalmente mamãe.
   Neste momento, Sibila começou a chorar e Sara foi acudi-la, se afastando um pouco. Nael aproveitou e disse para Claudius.
   – Pai, eu vou amanhã cedo para a Grande Pedra, saímos para trabalhar como sempre e eu tomo o rumo de casa. Por favor, não diga nada a Mirtes, nem a mamãe, dependendo do que sentir durante esta visita decidirei o meu futuro. Gostaria também de dizer que se por acaso a decisão for mudar, não permitirei que Sibele nos acompanhe.

continuação…. 

 

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