Mykonos-26

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    Ana tentou protestar, mas Jonas pediu que se calasse. Ela obedeceu prontamente e foi ter com Rafael que ainda cuidava de Maila na caverna de Jonas. Ao entrar, desabou em um choro convulsivo que fez com que a amiga se levantasse e a abraçasse. Rafael ficou muito assustado com o estado da esposa e quando soube de tudo o que aconteceu, respirou aliviado, com certeza foi apenas um mal-entendido. Ana, ficou mais aborrecida ainda quando o marido disse:
    – Ana, pare com isso, qualquer um poderia esbarrar em você, por favor, não fique afirmando que ela fez de propósito.
    A amiga de Maila olhou para o marido parecendo não entender o que ele dizia. Ela não queria que suas suspeitas se transformassem em certeza, mas foi isso o que aconteceu – após digerir o que ele disse. Falou:
    – Rafael, está tudo acabado entre nós, hoje mesmo, procure outro lugar para ficar. Eu e Rosana, moraremos sozinhas.
    – Como assim? Gritou Rafael. Não estou entendendo nada!
    Maila, sabendo do assédio de Tânia e do ciúme de Ana, tentou ajudar, mas só fez piorar a situação. Falou mansamente:
    -Rafael, será que você não percebe que esta mulher, mesmo sendo casada, está apaixonada por você e provocando Ana está tentando separar vocês dois?
    – Não, não percebo. Vocês duas estão ficando loucas. Dizendo isto, saiu da caverna aturdido e foi tomar ar fresco para ver se raciocinava melhor.
    Ao descer as escadas que dava para o pavimento inferior, encontrou Fernando que sabendo do ocorrido estava à procura do amigo. Rafael titubeou um pouco, mas concordou em darem uma volta para conversarem. Andaram alguns minutos em silêncio e bem próximos ao mar, Fernando o convidou para sentarem em uma pedra plana. O dia se findava e os últimos raios do sol banhavam o horizonte criando uma paisagem maravilhosa, propícia ao relaxamento. Rafael olhou ao longe e disse que aquele era o dia mais triste de sua vida, pois a mulher que ele amava profundamente propôs que os dois se separassem. Fernando ouviu as queixas do amigo, ele não imaginava que a situação havia chegado a este ponto, então   pediu que Rafael explicasse tudo o que havia acontecido após a briga que ele e grande parte da comunidade haviam presenciado. De início, o marido de Ana se negou a dizer, mas diante da insistência e da amizade de tantos anos contou todos os detalhes.
    Fernando ouviu cabisbaixo e quando Rafael deu por encerrado o relato. Disse:
    – Amigo, sinto te dizer que Ana e Maila têm razão. Tânia quer mesmo tirá-lo de sua esposa e deve estar apaixonada por você. Isto não é novidade para ninguém, nem mesmo para Terêncio, só você teima em não acreditar.
    Rafael pensou um pouco e muitos momentos sem importância vieram à sua mente. Certa vez, ele buscava ervas na mata que rodeava o antigo acampamento e sentiu que estava sendo seguido, quando se virou bruscamente, viu um vulto atrás de uma árvore e percebeu que era uma mulher, devido parte do vestido que ficara à mostra. Na época, não deu muita importância, pensou que fosse alguém que estivesse procurando um filho que brincava nas redondezas e continuou o que estava fazendo. Quando voltou para o acampamento, Tânia lhe deu algumas raízes e folhas que também havia recolhido naquele dia, mas jamais pensou que podia ter sido ela que ele havia visto escondida. E vários acontecimentos aparentemente corriqueiros foram sendo recordados e relatados para Fernando.
    Após tantas lembranças, Rafael disse para o amigo:
    – Mas não é possível que alguém possa ser assim tão dissimulado e agir de uma maneira tão calculada.
    – Ainda bem que você está começando a se convencer que Ana está coberta de razão, mas eu preciso te contar o que aconteceu um pouco antes daquele “esbarrão” proposital.
    – Mas isso eu ainda não acredito, é impossível que ela tenha feito isso de caso pensado.
    – Vamos ver se você ainda continuará pensando assim depois do que eu tenho para te contar. Fernando passou a descrever o diálogo que tivera com Tânia em sua caverna, momentos antes de toda a confusão acontecer.
    Rafael ficou muito confuso com o relato e muitas perguntas começaram a invadir sua mente:
    – Eu não estou entendendo, então ela quer se separar de Terêncio?
    – Não foi isso que disse. Ela insinuou que queria ajudá-lo a melhorar, por isso, pediu que eu dividisse minha caverna com ele, por ser no primeiro pavimento. Mas pense bem, porque não pediu que trocássemos de caverna, eu iria para cima e os dois para baixo?
    – É verdade. Falou baixinho Rafael, e prosseguiu:
    – Esta mulher é uma víbora.
    Neste momento, perceberam um barulho de folhas na moita ao lado. Fernando rapidamente saltou para o local de onde vinha o ruído, pensando que pudesse ser um animal selvagem, mas ele estava enganado. Era Tânia novamente. A pedra onde os dois se encontravam era plana e alta, das cavernas do terceiro pavimento podia ser visualizada facilmente. Quando ela voltou para sua caverna e percebeu que os dois conversavam perto dali, correu para ver se ouvia o que eles estavam falando. Desta vez, ela não teve como fugir, com o salto, Fernando caiu exatamente sobre o seu corpo. Passada a surpresa dos três, Rafael, que ficara sobre a pedra, foi o primeiro a falar:
    – Então, você quer me separar de Ana e está aborrecendo minha esposa de todas as maneiras?  Sua mentirosa, você derrubou a água que Ana carregava de propósito!
    Tânia já de pé e recomposta, falou:
    – É claro que não Rafael, Ana é que está mentindo.
    Desta vez, quem saltou sobre Tânia, foi Rafael, gritou para que ela desaparecesse de sua frente e nunca mais importunasse sua esposa, sob risco de ser ele mesmo, a lhe dar uma surra. Ela saiu correndo aos prantos, repetindo que Ana mentia e que se vingaria dela.
    Assim que Tânia foi embora, Fernando pediu para que Rafael voltasse a se sentasse na pedra que ele queria conversar mais um pouquinho:
    – Que situação mais desagradável, mas eu tenho uma proposta a lhe fazer. Eu sou solteiro, ao contrário do que disse para Tânia, não sofro de dores nas pernas e a minha caverna é muito mais espaçosa que a que você vai ocupar com Ana e Rosana. Por isso, amigo, porque não trocamos, você desce para o pavimento inferior e eu subo, pois Tânia quer você e não eu, assim você e Ana poderão ficar mais tranquilos e longe dela.
   Rafael ficou emocionado com a proposta do seu grande amigo, não havia comparação nas duas cavernas, depois da de Jonas a de Fernando era a melhor, quando o sorteio foi realizado, ninguém havia pensado em deixar as cavernas menores para os solteiros, apenas três dos orifícios do pavimento inferior foram reservados para aqueles que tinham problemas de locomoção e Terêncio não foi incluído entre eles porque não queria que soubessem do mal que estava enfrentando. E assim, os dois amigos encerraram a conversa prometendo cumprir o combinado naquele mesmo dia, apesar de Jonas ter alertado a todos que de início não se movimentassem para ajustar as trocas das cavernas.

continuação…

 

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