Mykonos-20

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    Depois de uma hora de caminhada ao longo da orla, eles avistaram a imensa pedra, que ao longe parecia exatamente igual às outras, a não ser o tamanho e as manchas escuras, que Josias creditou à vegetação que poderia crescer em alguns pontos onde houvesse um pouco de terra acumulada. Quando chegaram em frente à pedra, começaram a entrar mata adentro, pois Jonas queria chegar o mais próximo possível. A uns cem metros de distância, toda a vegetação desapareceu. Os quatro amigos pararam extasiados, o que se viu foi deslumbrante, uma imensa área da mais límpida areia, circundando a grande pedra, parecendo que saudavam os visitantes para que adentrassem no hall de um castelo. E as imensas manchas que se via ao longe, nada mais eram que inúmeras cavernas, dispostas em três pavimentos, sendo que em cada um via-se alinhado lado a lado entre oito e dez cavernas.
    Jonas se ajoelhou na areia e agradeceu ao Grande Deus por ter permitido que eles encontrassem o novo lar. Josias, Rubens e Rafael também seguiram o gesto do amigo e todos oraram juntos em agradecimento. A seguir, todos começaram a explorar o local que serviria de residência a toda a Comunidade pelos próximos séculos. As cavernas que ficavam mais próximas a areia já haviam sido habitadas, pois encontraram alguns moveis rústicos, anzóis, alguns objetos de cozinha, mas o que eles desconheciam era que os antigos habitantes abandonaram o local com medo que o mar invadisse toda a região como era afirmado por algumas lendas que na época corriam de boca em boca, mas isto jamais aconteceu. Os antigos moradores se estabeleceram próximos a Semiris e nunca mais voltaram ao local.
    Rubens contou os orifícios na grande pedra e concluiu que daria para cada família se acomodar em um deles, inclusive os três rapazes solteiros : Atílio, Fernando e Minelo – Laércio se casaria com Luizinha dali a poucos dias. Dos três, apenas Atílio veio acompanhado da família original, os outros dois ficaram órfãos na infância, quando seus pais foram assassinados pelos saqueadores que rondavam a região onde moravam, muito antes que tivesse início a invasão dos bárbaros. Fernando crescera e se tornara um homem de bem graças o acolhimento do velho Messias e de sua esposa  Cira. Minelo, pelo contrário, vivia abandonado pelos vilarejos de Verona, e só acompanhou o grupo que fugia em direção à Grécia, porque Atílio pediu a Jonas para que este intercedesse junto ao capitão Mirko e durante a viagem Minelo fez o papel de faz tudo; desde hastear as velas até varrer o convés, em troca da passagem para a liberdade. Desde que se estabeleceram em Mykonos, ele se manteve tranquilo e participativo, mal parecendo aquele garoto rebelde e muitas vezes agressivo.
    O líder do grupo caminhou em frente e ao redor da grande pedra procurando um local onde pudessem chegar às cavernas superiores, pois se não houvesse nenhum acesso, de nada adiantaria tantos orifícios pois apenas os inferiores eram insuficientes para tanta gente. Quando Jonas começava a desanimar, escutou Rafael gritando e dizendo que a última caverna da esquerda tinha em seu interior uma espécie de escada feita pelos antigos moradores que dava acesso à segunda fileira de cavernas. Jonas, Josias e Rubens correram para o local que Rafael apontava e  realmente havia um acesso seguro. Jonas subiu na frente e o que viu foi algo surpreendente; uma espécie de plataforma, impossível de ser visualizada por quem estava no chão, pois ela se encontrava atrás das cavernas, era totalmente coberta e dava acesso a cada um dos orifícios do segundo andar. Caminhando mais um pouco, na última caverna diametralmente oposta a primeira, onde havia a escada; eles encontraram mais degraus que os levava  ao terceiro pavimento de cavernas, também nos mesmos moldes do segundo.
    Passada a surpresa, os amigos voltaram à terra firme, mas ninguém ousava dizer nada, ainda estavam embasbacados com o que haviam encontrado. Ainda não tinham ideia de como conduzir o que estava por vir. Sabiam que alguns se oporiam a mudança, pois morar em cavernas era a última coisa que poderiam imaginar. Jonas quebrou o silêncio, dizendo:
    – Precisamos conversar muito antes de decidirmos o que fazer. Eu sei que neste momento, nós quatro representamos toda a comunidade, mas não podemos chegar lá, dizendo, amanhã nos mudaremos para as cavernas que encontramos quando procurávamos vestígios dos antigos nativos. Eu pessoalmente, acho que é isso que devemos fazer. Aqui, estaremos protegidos do vento e da chuva, que nos castiga impiedosamente. As crianças poderão brincar em um local amplo e longe dos perigos da mata fechada que nos cerca atualmente, isto, sem contar que aqui é mais próximo do mar e do local onde poderemos vender nossa produção. O único problema é a água, que teremos que encontrar nas proximidades, caso contrário, se tornará impossível a sobrevivência.
    Josias ouviu com muita atenção as palavras do irmão, ao contrário de Rubens e Rafael que a todo momento queriam interferir na colocação de Jonas. Este, percebendo a inquietação do irmão e do amigo, pediu que estes fizessem seus apartes. Rubens disse:
    – Eu concordo com você, apenas com relação à água, pode ficar despreocupado, eu e Rafael encontramos um grande riacho cristalino que desemboca no mar, isto a cem metros daqui, indo em direção a Vila Semiris.
    Só agora Josias pediu a palavra:
    – Resolvido este problema, acredito que o melhor a fazer é realmente nos transferirmos para cá, mas como você disse Jonas, precisamos ser muito habilidosos ao comunicar a todos o que encontramos. Sugiro que não entremos em detalhes, diremos apenas que achamos um local adequado que poderá servir de moradia a toda comunidade e pediremos que durante cinco dias se forme grupos de aproximadamente dez pessoas a cada dia e que o grupo se dirija para o local que encontramos, para conhecer, e no sexto dia faremos uma votação – a maioria vencerá – caso optem por vir, estabeleceremos regras para que ninguém se sinta prejudicado com relação ao abrigo que ocupará.
    Jonas concordou plenamente com o que Josias colocou, apenas Rafael completou:
    – Pediremos que cada grupo, ao retornar ao acampamento, não comente nada do que encontraram, nem emitam qualquer opinião a favor ou contra. Tudo será decidido no sexto dia.
    E assim foi feito, ao retornarem, disseram exatamente o que foi combinado – no dia seguinte, o primeiro grupo, liderado por Rubens partiu em direção ao novo lar. Deste grupo faziam parte Tânia e Terêncio, Otélia e seu marido Augusto, a filha de quatro anos ficara sob os cuidados de Ana no acampamento. Durante o trajeto, Tânia não parava de falar de Rafael, se referindo a ele como se fosse o responsável por estarem tendo a oportunidade de visitar um local que possivelmente poderá ser o novo lar. Otélia ouvia pensativa, não conseguia entender, porque Tânia se referia ao marido de Ana com tanta insistência e admiração. Ao se aproximarem do local que buscavam, em um momento quando Tânia perguntava para Rubens se estavam muito longe. Augusto pediu que sua esposa se aproximasse e falou em voz baixa em seu ouvido:
    – Isto ainda vai dar muita confusão, esta mulher está apaixonada por Rafael.
    Otélia olhou para Augusto com ar de reprovação, como se ele estivesse dizendo algo absolutamente irreal. Prosseguiram caminhando lado a lado e de tempos em tempos Augusto observava Terêncio ao longe – parecia cansado e desanimado. Ao puxar pela memória, a prima de Jonas lembrou-se do episódio que aconteceu no dia da morte de Alberto. Em um lampejo de lucidez pensou:
    – Grande Deus faça com que Augusto esteja apenas divagando, Ana não merece que esta mulher ouse se interpor entre ela e Rafael. Quando voltarmos preciso conversar com minha amiga a respeito desta admiração extrema que Tânia demonstra por Rafael.
    Enquanto Otélia pensava na amiga, Tânia começou a gritar escandalosamente, como era de seu feitio:
    – Chegamos! Olhem, lá está ela! A imensa pedra que Jonas falou!

continuação….

 

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