Mykonos-19

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   CAPITULO 3

NOVOS TEMPOS EM UM NOVO LAR

    Uma semana se passou, a vida prosseguia sem maiores sobressaltos. Todos estavam muito mais motivados para cultivar a terra e mais felizes com o pouco conforto trazido pelas mercadorias compradas em Semiris – a  nova Vila – que  daqui para frente seria o porto seguro para toda a Comunidade. Jonas ainda pensava constantemente na história da mudança para o novo lar que seu sobrinho havia mencionado mais até agora não conseguiu se aproximar dele, pois o menino ficara muito assustado com sua atitude com relação a Joninho e com as inverdades que o primo havia espalhado entre as crianças, dizendo que o pai estava ficando louco e que todos deviam tomar muito cuidado, pois de uma hora para outra, poderia ter um surto e atacar um deles como fez no dia que o machucou à ponto de deixá-lo com uma marca na cabeça; e mostrava a todos a pequena cicatriz na linha do cabelo.
    Albertinho era um menino muito ingênuo, acreditava em tudo que lhe diziam, em especial o primo, que a seus olhos, era muito corajoso e tinha inteligência para resolver qualquer problema, até para enterrar um defunto de bruços como fez com Mario, por isso, fugia do tio em todas as situações. Disse para Beatriz, que se o tio o procurasse para dizer que ele não estava. Ao ser questionado pela mãe do por que desta atitude, ele desconversou dizendo:
    – Mamãe, ele quer conversar comigo a respeito do dia que vi papai na pedra perto das bananeiras, e foi o próprio tio que me disse para não falar desse assunto com ninguém.
    Beatriz ao saber do motivo, deu razão ao filho, pois tinha pavor de saber que alguém pudesse conversar com mortos, e assim, começou a ajudá-lo a escapar das perguntas de Jonas. Até que um dia, ao voltar da plantação mais cedo, Jonas se deparou com Albertinho indo até o riacho lavar umas louças para mãe.  Como não havia como escapar do tio desta vez, o menino parou, olhou para ele e disse:
    – Tio, já estou cansado de fugir de você, diga logo o que quer saber e nunca mais toque neste assunto, pois foi você mesmo que me disse para não falar sobre isso com ninguém.
    Jonas, entendendo o por que  da atitude do sobrinho, abaixou-se, olhou dentro de seus olhos, dizendo:
    – Albertinho, eu só quero saber uma coisa.
   Neste momento o menino ficou mais tranquilo parecendo ter sido invadido por uma força estranha que o induzia a dizer tudo que sabia. Jonas prosseguiu:
    – Você disse que seu pai falou que breve nos mudaremos para um novo lar, o que mais sabe sobre isso?
    – Tio, papai me disse, que moraremos bem perto do mar, uns sobre os outros. Só isso!
    – Só isso? Repetiu Jonas, não entendendo a mensagem.
    – Sim tio, em seguida ele desapareceu.
    – Está bem Albertinho, fique tranquilo, nunca mais tocarei neste assunto.
   O menino correu em direção ao pequeno riacho, sentindo-se aliviado de ter tirado este peso dos ombros, ele mesmo, havia pensado muito no que o pai havia lhe dito, mas não conseguia entender o que ele queria dizer com – morar  uns sobre os outros, e com o tempo já não pensava mais nisso. Mas hoje, quando contava para o tio, uma visão extraordinária lhe passou pela mente, inúmeras cavernas em uma grande pedra, umas sobre as outras. Instintivamente ele se voltou, e viu o tio caminhando ao longe. Ele correu em direção a Jonas, gritando:
    – Tio, espere um pouco, preciso lhe contar uma coisa.
    Jonas, mal teve tempo de tentar decifrar este enigma e ao ver o sobrinho correndo, abriu os braços, e o abraçou como jamais havia feito com Joninho.  Falou:
    – Diga Albertinho, o que mais você se lembrou?
    – De nada tio, eu te contei tudo, mais é que no momento que eu te contava sobre morar uns sobres os outros, eu vi claramente, uma grande pedra com dezenas de cavernas umas sobre as outras. Jonas ouviu atento o que o menino contou e finalizou:
    – Albertinho, não conte nada disso para ninguém, especialmente para Joninho, ele é muito criança e não entenderia como alguém pode ter uma visão como esta.
    O menino foi embora satisfeito. O que Jonas temia é que o filho pudesse por tudo à perder, inventando que o sobrinho estivesse tendo alucinações, fazendo com ele se sentisse ainda mais inseguro. Assim que chegou ao acampamento, Jonas procurou Rubens, Josias e Rafael, pedindo que os três relembrassem tudo que viram durante o trajeto até Semiris, no dia que foram vender a produção excedente. Josias perguntou:
    – O que exatamente você quer saber, irmão?
    Jonas foi reticente, mas falou que entre o acampamento e a Vila deveria existir um local mais adequado, onde eles pudessem se instalar. Rafael pediu que todos puxassem pela memória, pois se morassem mais perto do porto tudo seria muito mais fácil, pois as terras férteis se estendiam ao longo da costa e com o tempo, quando a porção onde estavam começasse a dar sinas de esgotamento, poderiam avançar mais.
    Josias disse que só avistou pedras e mais pedras, nada além disso. Era esta a deixa que Jonas esperava, pois não poderia mencionar o que Albertinho havia lhe falado. Ele disse a seguir:
    – Alguém viu alguma pedra em especial?
    – Como assim? Falou Rubens.
    – Uma bem grande, com grandes orifícios feitas pelo mar. Por aqui, existem muitas escavações feitas pelo mar. Algumas, até nas pedras, induziu Jonas, para que os amigos tivessem alguma lembrança de cavernas feitas pelo mar. Rubens, franzindo a sobrancelha, como era de seu feitio quando algo pipocava dentro de sua mente, disse:
    – Quando Alberto tropeçou pela primeira vez, nós paramos para auxiliá-lo e quando me sentei para esperar que ele se recuperasse, olhei em direção ao lado oposto ao mar, vi uma pedra imensa que parecia cheia de manchas escuras que bem poderia ser grandes orifícios. Na hora não dei nenhuma importância porque tudo que se via daquele lado eram pedras e mais pedras.
    Josias e Rafael também se lembraram da pedra imensa, tão grande que parecia encobrir o céu, como afirmou o irmão de Rubens. Apenas Jonas não se recordava dela, isto porque, ele ficou todo o tempo amparando Alberto, pois logo após o tropeção, este não conseguia se equilibrar a ponto de caminhar novamente. Somente após uns quinze minutos ele parecia estar melhor. Durante este tempo todos se sentaram, menos Jonas. Após estes relatos, Jonas tomou a palavra dizendo:
    – Proponho amanhã bem cedo, nós quatro irmos até lá, diremos a todos que vamos em busca de mais cabanas de nativos, pois não será necessário nenhum alerta do real objetivo. Se  não encontrarmos nada que seja condizente com o que procuramos, não precisaremos dar nenhuma explicação.
    Os dois irmãos e o amigo Rafael concordaram de pronto. Foi o que fizeram. Ao raiar do dia já estavam a caminho da grande pedra. Maila, pediu maiores explicações, mas Jonas se negou terminantemente a falar qualquer coisa. Depois do acontecido com Joninho, o casal vivia em pé de guerra, mal se falavam, a não ser o estritamente necessário.

continuação…

 

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