Mykonos-101

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    Enquanto isso, na Grande Pedra, Pilar corria em direção a plataforma de areia que se descortinava em frente às cavernas que serviam de moradia a tantos trabalhadores e suas famílias. Ela subiu na pedra mais alta que ladeava a plataforma e começou a gritar:
    – Por favor, preciso falar com todos que estiverem interessados em saber da minha história.
    Percilio neste momento conversava animadamente com Hipólito, Rafael e Cirilo. Ao ver a movimentação da sobrinha, aproximou-se e perguntou o que estava acontecendo.
    Pilar, serenamente disse:
    – Tio, acabei de saber que Joninho não é meu pai e eu quero contar a todos, porque só assim, me livrarei de um peso que sempre me acompanhou, o de ter um pai que nunca realmente senti que era meu pai.
    Percilio pensou um pouco e intuído por Menéas, concordou, pediu que seu irmão Cirilo e Rafael chamassem a todos novamente, pois desta vez era Pilar que precisava fazer um comunicado. Não demorou muito e todos os moradores se reuniram novamente, apenas Jonas não arredou pé do local onde estava, a princípio pensou em ir mas depois decidiu ficar sozinho, orando para que o Grande Deus cuidasse para que sua neta não tivesse mais dissabores, mas foi o que aconteceu.
    Ao saber que Pilar iria conversar com todos, Laurinha disparou caverna afora, sendo seguida por Raquel, nestas alturas, Luizinha já tinha se recolhido a sua caverna. Ao ver a filha empertigada encima da pedra, começou a gritar:
    – Desça daí já, eu não permito que você diga uma palavra do que acabou de ouvir de sua irmã, é tudo mentira!
    Ignorando o que a mãe dizia, Pilar se dirigiu a Percilio, dizendo:
    – Tio, vovô me disse que seu tio Atilio é meu pai!
    Desta vez até Percilio foi pego de surpresa, até onde sabia, seu tio tinha tido um caso com sua cunhada, mas aí, ser pai de sua sobrinha, era total novidade. Ele respondeu reticente.
    – Se foi seu avô que te disse, eu acredito, mas agora se acalme um pouco.
    Ao ouvir a última frase da filha, Laurinha voltou imediatamente para caverna de sua mãe, passou pela sua cabeça que ela poderia até ser linchada por tudo que tinha feito.  Depois de uns dez minutos, todos os moradores já estavam novamente reunidos na plataforma de areia, até mesmo Luizinha, que alertada por Laercio, resolveu ouvir o que a sobrinha tinha a dizer.
    Pilar começou falando.
    – Meus amigos, eu desejo muito que a paz retorne a nossa Comunidade, mas para isso, todos os atos incorretos deverão ser revelados, caso contrário, se assentarmos esta paz sobre mentiras, nunca encontraremos a real harmonia.
    Era visível o orgulho de Percilio e de seus tios. Aquela menina, aparentemente tão frágil, estava defendendo a boa convivência com toda a força, mesmo se expondo daquela maneira. Silinho, ao lado de seu pai e de sua mãe, observava embevecido a atitude de Pilar. A garota prosseguiu:
    – Minha mãe traiu meu pai durante todo o tempo em que foram casados e eu fui fruto desta traição, meu pai é Atilio Massina e não Joninho.
    Foi um silêncio total, ninguém ousava dizer absolutamente nada, até que uma voz de homem se fez ouvir, era Silinho, que de repente, munido de uma coragem que nem mesmo ele sabia de onde vinha, disse:
    – Pilar, independente se você é filha de Joninho ou de tio Atilio, eu te amo, você aceita ser minha esposa?
    Ao ouvir tal pedido, a menina pulou da pedra onde estava, correu em direção ao rapaz, abraçou-o com toda sua força, ele segurou-a pela cintura e rodopiou seu corpo no ar, sob o olhar de uma plateia embevecida com a cena.  Ao se aprumarem,  os dois ficaram um longo instante, um olhando nos olhos do outro, até que Celeste gritou:
    – Viva os noivos!!
    Foi uma ovação só, até Jonas, que estava imerso em suas orações, foi ver o que estava acontecendo. Ao adentrar na plataforma, foi recebido por um Percilio que não cabia em si de contente, e foi abraço para todo lado. Albertinho abraçando Cirilo. Rubens abraçando Josias. Mirla, Ana e Mariane comemorando ao lado de Rute, Celeste e Sibila. Até Raquel, sentiu um quê de orgulho da neta, Luizinha se afastou rapidamente, temendo que seus filhos a recriminasse por ter conhecimento da traição da irmã e pudessem também expor a todos os moradores sua conivência. Hipólito e Claudius, em um canto, vibravam por ver o plano do líder da Comunidade em unir os moradores se concretizando.
    A partir daí, os preparativos se iniciaram, ninguém sequer inquiriu Laurinha a respeito de sua concordância ou não com as bodas. As duas irmãs prosseguiam sem se falar, Raquel tornou-se bem mais maleável no trato com os outros moradores, ela sabia que era uma questão de tempo e tudo voltaria ao normal, ela sentia algo diferente pairando sobre a vida de sua família, parecia que todos ficaram mais compreensivos e amigos, até mesmo suas filhas.
continuação… 

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