Mykonos-99

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     O que se viu a seguir foi algo espetacular, uma intensa salva de palmas e gritos ovacionando Percílio e os irmãos Massina!!
     O barulho pode ser ouvido até na caverna de Raquel, onde as duas irmãs aguardavam o fim da reunião para saberem o que foi discutido. Luizinha, a mais curiosa, foi até a entrada da caverna para ouvir o que diziam, se assustou quando conseguiu entender o significado dos gritos:
    – Viva Percilio!! Viva Jonas!! Viva Josias!! Viva Rubens!!
    Correu para dentro e disse para Laurinha:
    – Acho que Percílio e sua familia fizeram alguma coisa muito boa porque todos os moradores da Comunidade estão dando vivas para eles.
    Sem grande entusiasmo, a nora de Jonas respondeu com desdém:
    – Pouco me interessa, eu não me envolvo com esta família, para mim, são fantasmas ambulantes.
    – Nossa irmã!! Jonas é avô de seus filhos e Percilio tio, você não pode mudar isso. Afirmou Luiza.
    Antes que Laurinha dissesse alguma coisa, Raquel entra como um rojão na caverna, seguida dos netos. Vendo o estado da mãe, Luiza perguntou:
    – O que foi mamãe? O que aconteceu?
    Foi Pilar que respondeu, pois Raquel, sentou-se, sem condições de raciocinar.
    – Mamãe, tia, acho que vocês duas deverão deixar a Comunidade.
    Antes que houvesse tempo de uma das duas se manifestar, Piedade completou:
    – Tio Percilio disse que quem não concordar em tratar uns aos outros com educação e ajudar na limpeza da área comum deverá deixar a Comunidade.
    Todos os rapazes, filhos de Laercio, disseram em uma só voz:
    – Nós concordamos!
    O mais velho deles, prosseguiu.
    – Mamãe, nós não temos amigos na Comunidade, nem tão pouco poderemos arrumar uma namorada porque você trata todos mal e ninguém quer uma sogra como você.
    Rute sentou-se ao lado da mãe e abraçou-a carinhosamente, disse em seu ouvido:
    – Por favor, repense suas atitudes, nós não queremos que você vá embora mas não haverá outra alternativa se prosseguir surda aos apelos de todos para que a boa convivência retorne.
Ainda sem condições de raciocinar, as duas irmãs ainda tentaram bater na mesma tecla, dizendo que eram livres e poderiam se relacionar com quem bem quiserem, da maneira que desejarem. Após alguns minutos, onde, cada um dos jovens tentou à sua maneira convencer as duas mães e a avó, que a essas alturas bradava a plenos pulmões:
    – Nós temos direito a caverna que ocupamos, pagamos com nosso suor, ninguém tem o direito de nos expulsar daqui.
    Neste momento, entra Laercio, com as feições sérias e com um ar tão decidido que Laurinha se assustou. Parou diante de todos, falou:
    – Cabe a vocês duas decidir o que será feito do futuro de cada uma, incluo também você minha sogra.
    Olhou firmemente para Raquel, enquanto Luizinha bradava no outro lado do aposento.
    – Não permito que você fale com minha mãe desta maneira senhor meu marido, peça desculpas a ela!
    Desta vez foi Rute que questionou.
    – Não minha mãe, papai disse a verdade, vovó também pode seguir o que seu coração mandar, portanto, não há motivo para pedir desculpas. Eu só acho que todos nós deveremos sair e deixar que vocês decidam o que acharem melhor.
    Um a um, os jovens foram saindo em silêncio, Laercio foi o último a deixar  caverna, exultante de felicidade. Quando ficaram sozinhas, um doloso silêncio tomou conta do aposento. Parecia que não havia mais nada a fazer, a não ser se dobrar as regras de Percílio. Não passava pela cabeça de nenhuma delas, deixar a Comunidade. Ir para onde? A pergunta que passava pela mente de cada uma.
     A primeira a quebrar o silêncio foi Laurinha, dizendo:
     – Eu não sei onde Percilio quer chegar mas o que eu sei é que estamos sem saída, até mesmo nossos filhos estão contra nós, isto sem me referir ao banana de seu marido Luizinha!
    Pelo primeira vez, as duas irmãs se entregaram a uma discussão que acabaria em uma ruptura irreversível, pelo menos durante este período que elas precisavam se unir para prosseguir defendendo a crença errônea que se apegaram para se afastar do convívio de outros moradores da Comunidade da Grande Pedra.
    Luizinha, sem pensar, respondeu:
    – E você que matou o seu? O expulsou de sua caverna e o condenou a viver ao relento até que seu corpo não resistiu.
    Ao ouvir isso, Laurinha avançou para cima da irmã, Raquel teve que se colocar no meio das filhas para que não se atracassem. A esposa de Joninho, gritava tanto que Pilar e Piedade voltaram correndo para a caverna, os outros, não se mexeram, tinham certeza que se fosse uma briga entre elas, estava dentro do esperado.
    Ao ver a filha mais velha, Laurinha correu ao seu encontro, dizendo:
    – Olha só Piedade o que sua tia andou dizendo, falou que eu matei seu pai, só porque eu expulsei de nossa caverna.
    A filha impassível, olhou para a irmã caçula, Pilar, falou pausadamente:
    – Irmã, a muito eu sei que nossa mãe fez muito pior, ela traiu papai durante todo o tempo que estiveram casados, portanto, se ele não morresse ao relento, ou quem sabe, afogado como dizem, morreria de tristeza por ter se casado com ela.
    Piedade parecia totalmente alheia a presença da mãe, seus lábios se moviam como se tivessem sendo induzidos por algo ou alguém.    Foi um rebuliço, Laurinha gritava que era mentira, Luizinha confirmava a afirmação da sobrinha, Raquel chorava compulsivamente pedindo que parassem com tantas desavenças. Pilar, por outro lado, saiu, sem dizer palavra.
    Do lado de fora, foi ter com o avô, que permanecia sentado na mesma pedra onde ouviu as colocações de Percilio a algum tempo atrás.
    O antigo líder da Comunidade se assustou com o aspecto angustiado da neta, disse:
    – O que foi Pilar? Parece que viu a assombração da pedra vermelha!
    A jovem sabia que o maior temor das crianças da Grande Pedra era a lenda da assombração que aparecia as vezes no local que era conhecido com o nome de pedra vermelha. Realmente deu razão ao avô, pois o susto que levou, comparava-se ao dia em que viu o vulto de um homem coberto de formigas sobre a tal pedra, mas sua vontade de esclarecer o que tinha acabado de escutar era tanta que não deu ouvidos a brincadeira do avô. Respondeu:
    – Vovô, é verdade que minha mãe traiu meu pai, durante todo o tempo que ficaram casados?
    Desta vez foi Jonas que levou um susto, pensou um pouco e disse:
    – Pilar, não sei como ficou sabendo disso, mas é a mais pura verdade.
continuação… 

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