Mykonos-97

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Tentando acalmar o otimismo exagerado do pai, Percílio respondeu com mais serenidade.
– Concordo que um casamento entre eles poderia melhorar muito o relacionamento de Raquel e sua família conosco, mas por outro lado, temo que Laurinha se coloque terminantemente contra, e isso acarrete mais desavenças.
– O que o senhor acha de prosseguirmos nosso plano de fingirmos que não aceitamos as provocações? Podemos até conversar com Albertinho e Silinho e os colocarmos à par do que pretendemos, mas em primeiro lugar precisamos saber se o sentimento de Pilar é retribuído. Só assim, poderemos armar uma estratégia que poderá enfim ser útil para que a paz reine novamente.
Após combinar com Jonas que voltaria mais tarde e traria o primo e seu filho para uma conversa esclarecedora, Percílio saiu, se dirigindo à sua caverna. No meio do trajeto se encontrou com Laurinha que retornava de um encontro com sua mãe, como sempre ela mal o cumprimentou, passou como um raio sem dar nenhuma oportunidade que ele lhe dirigisse a palavra. Percilio respirou fundo e mesmo ela já se colocando a uma certa distância, disse:
-Cunhada, a partir de hoje, não mais será permitido passar sem dirigir uma saudação educada ao seu vizinho!
Laurinha parou imediatamente, se virou abruptamente, respondeu:
-Quem é você para me obrigar a perder tempo te cumprimentando? Eu não aceito que você seja o líder da Comunidade, portanto, pouco me importa se gosta ou não do jeito que eu te trato.
Calmamente, o rapaz completou:
– Independente de quem seja, todos deverão se cumprimentar educadamente, afinal somos todos membros de um grupo de amigos que escolheram viver em Comunidade, portanto, o mínimo que exijo é respeito um com o outro.
– Tenha uma boa tarde! Completou Percílio, prosseguindo seu trajeto em direção ao seu destino.
Laurinha ficou paralisada, um pensamento passou como um raio em sua mente.
– Agora só falta ele me expulsar daqui, só porque eu não tenho estômago para ficar adulando-o.
No momento seguinte, pensou:
– É claro que ele jamais fará isso, Jonas não permitiria, ele ama os netos.
Sibila aguardava ansiosa a volta do pai, ele tinha dito que conversaria com Jonas à respeito de Pilar, mas quando entrou na caverna, percebeu que Celeste, a amiga inseparável, também estava lá. Disse como quem não quer ser indelicado.
– Filha, agora preciso voltar para a caverna do vovô, eu só queria te dizer que papai te ama e fez tudo que me pediu.
Apressadamente, Sibila contestou:
– Papai, não se preocupe Celeste já sabe de tudo, ela está me ajudando a emitir boas vibrações para que Pilar tenha o seu desejo realizado.
Percilio estendeu os braços e abraçou as duas amigas, disse:
– Meninas, fiquem tranquilas, se depender de mim e do vovô, vocês conseguirão ver Pilar casada com Silinho.
Toda esta movimentação na manhã que antecedeu a reunião entre Jonas, Albertinho, Silas e Percilio foi conduzida por forças invisíveis que objetivavam manipular energia do bem para que o êxito da empreitada de fortalecer os laços da irmandade entre os moradores da Grande Pedra fosse conseguido. No Alto, inúmeros espíritos desencarnados, em especial, Anita e Iane, tiveram autorização do Grande Deus para se agregar a esta missão de Amor. Em solo terreno, foi decisivo o empenho de médiuns que sem buscar nenhuma vantagem pessoal, vibravam solidariedade, tanto é que o encontro entre os quatro amigos transcorreu como se tudo já tivesse sido ajustado e selado sem ao menos uma palavra ter sido dita com antecedência.
– Gostaria de pedir inicialmente que fizéssemos uma oração ao Grande Deus para que que ele nos auxilie a tomar as decisões que deverão ser tomadas.
Todos se levantaram e após uma breve reverência, Jonas disse:
– Grande Deus, venho humildemente pedir em meu nome e em nome dos meus companheiros aqui presentes, que neste momento, onde decidimos de comum acordo selar um pacto de companheirismo irrestrito,  o Senhor nos auxilie a colocar um ponto final em tantos embates sem sentido, que pouco a pouco está segmentando o grupo de italianos que com toda a fé se embrenharam por este país em busca de paz e trabalho. O trabalho nós temos, a paz não!
Era visível a emoção que tomou conta do ambiente, em especial de Silinho, o rapaz não tinha muito conhecimento sobre a grandeza do Pai Celestial, mas sempre sentiu que ele era tão real quanto o céu azul que descortinava lá fora.
Percílio iniciou a reunião dizendo:
– Eu e meu pai agradecemos a presença de vocês dois, eu sei que estão curiosos, pois sei também que tio Rubens já os colocou à par do plano que traçamos para tentar devolver a boa convivência entre os moradores da Grande Pedra. Então, o assunto é outro.
Albertinho falou abruptamente:
– Primo, seja qual for o assunto, pode contar comigo e com meu filho, nós estamos a inteira disposição.
Silinho confirmou as palavras do pai dizendo:
– Eu ainda sou muito jovem para determinadas missões mas podem contar comigo em tudo que eu possa ser útil.
Jonas deu um sorriso matreiro, olhou no fundo dos olhos do rapaz, disse:
– Silinho, eu, na sua idade, já era casado e quase pai, você não pensa em se casar também?
Enquanto Silinho se recuperava do susto, Albertinho interferiu, dizendo:
– Tio, que coincidência, esta manhã, Silinho estava mesmo falando deste assunto, eu tenho certeza, que ele quer sim, se casar e ter sua própria família.
– Pai!! Eu só te perguntei como a gente sabe quando está apaixonado, não disse mais nada! Exclamou Silas em um só fôlego.
Percílio, sentindo que era o momento de interferir, disse:
– Silinho, estes dias, minha sobrinha Pilar disse para meu pai que achava que já era hora dela se casar, eu gostaria de saber, se da sua parte pode haver uma possibilidade de ser ela a mãe dos bisnetos de Tio Alberto?
Silas se sentiu como que petrificado, a imagem de Pilar sorrindo invadiu sua mente como uma visão benfazeja, neste momento, ele fechou os olhos, e disse, sem esboçar nenhuma emoção:
– Sim primo, ela pode sim ser a mãe dos bisnetos de meu avô.

 

continuação…. 

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