Mykonos-96

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    Passado o susto, Jonas começou a entender um pouco os meandros da reencarnação. Relembrou-se de quanto ele rodou em círculos em busca de saber quem seriam Aimanon e Suzana, mas uma pergunta ainda pairava em sua mente, quem seria Suzana?
    – Será Pilar? Disse em voz alta, sem perceber que uma linda jovem se aproximou e silenciosamente sentou-se ao seu lado.
    Assim que proferiu a pergunta que levantava a possibilidade de ser sua neta Pilar a filha que respondia pelo nome de Suzana em outra vida, Jonas sentiu um perfume de amarílis invadir o Jardim Encantado, lentamente começou a procurar de onde vinha o aroma delicioso. Qual não foi sua surpresa quando percebeu a etérea figura sentada ao seu lado. Inicialmente, uma bruma suave impedia que visse o rosto da jovem, foi aí, que o auxílio de Iane foi essencial. Ele levantou sua mão direita e energizou o chacra frontal de seu filho. Imediatamente Jonas reconheceu Anita, sua neta. Estava linda, os cabelos negros cacheados cuidadosamente penteados, repousavam sobre os ombros da jovem. Os olhos negros, vivos como sempre, pareciam emitir uma energia suave que Jonas era capaz de sentir intensamente.
    -Querida!!
    Exclamou Jonas, com todo o amor represado em seu peito. A morte de Anita tinha sido um marco em sua vida, naquela época, ele próprio se revoltou contra a vontade do Grande Deus, fazendo coro com seu filho Percilio. Só se recuperou, após perceber que se não acionasse a humildade e a complacência com a determinação do Alto, não conseguiria superar a perda. Naquele momento, sua mente parecia um redemoinho, mas a conclusão foi óbvia: Anita era Suzana!!
    – É isso mesmo vovô, eu sou Suzana! Afirmou a jovem com a mesma doce voz, tão conhecida.
    Jonas não suportou a emoção, chorava tanto, que seu corpo físico, estendido na cama, parecia estar sendo acometido por uma síncope, de tanto que se contorcia. Neste momento, Percilio entrou na caverna do pai, ao vê-lo naquele estado, correu para socorrê-lo. Nos braços do filho, Jonas abriu lentamente os olhos, disse:
    – Cadê Anita?
    Percilio, tomado de surpresa, respondeu como se a filha tivesse acabado de partir.
    – Anita morreu papai.
    Respirando fundo, Jonas disse:
    – Não filho, Anita está tão viva como eu e você.
    – Papai, você estava sonhando, Anita morreu e não viverá mais.  Afirmou Percilio.
    – Eu vim aqui para conversar  a respeito de Pilar.
    Prosseguiu o rapaz, tentando mudar de assunto. Jonas contrafeito, ainda não tinha conseguido expressar toda a emoção que sentiu, e a certeza de que o que afirmava era verdadeiro. Insistiu veementemente em prosseguir relatando o que vivenciou.
    – Filho, cale-se! Ouça o que eu tenho a dizer!
    Percilio, como que movido por uma sensação de impotência, assentiu positivamente com a cabeça.
    – Com certeza não foi um sonho, Anita sentou-se ao meu lado, sorriu, e só não disse nada porque você me acordou!
    – Está vendo pai, você mesmo afirma que estava dormindo.
    Já arrependido da interrupção, Percilio se desculpou e pediu que o pai prosseguisse.
    – Filho, eu fui para um lugar totalmente diferente daqui, era lindo, tudo perfeitamente em sintonia, o céu, as árvores, as flores, o ar, os pássaros… um verdadeiro paraíso!
    – Havia um senhor que se apresentou como Iane e disse ter sido meu pai em uma vida em Constantinopla.
    A palavra Constantinopla caiu como um torpedo na consciência de Percilio, como um filme, cenas desconhecidas para ele, descortinou-se em sequência. Se viu vestido de modo diferente, caminhando em direção a uma casinha branca cercada de flores. De repente, inúmeras crianças de todas as idades correm em sua direção e o abraçam festivamente. A seguir, viu uma porta se abrindo e dentro do aposento, ornado com flores multicoloridas, uma linda jovem o aguardava. Esta segunda cena já tinha aflorado em sua memória tempos atrás, como que recordando em êxtase, exclamou:
    – Suzana!
    Imediatamente, Jonas parou de falar, afirmou categórico:
    – Repita o nome que acabou de dizer!
   Como que voltando de uma regressão de memória, Percilio repetiu: Suzana!
   – Filho, que mistério maravilhoso é esse? A anos venho me perguntando quem é essa pessoa? A primeira vez que ouvi este nome, em um “sonho”, você ainda era um molecote e desde então sempre me indaguei quem poderia ser ela.
   – Pai, eu também, a única coisa que sei é que ela deve ter sido minha esposa em uma vida anterior a esta, agora tenho certeza, que esta vida foi em Constantinopla e eu era um pescador. Nós morávamos em uma casinha branca de janelas azuis e tínhamos muitos filhos.
   Neste momento do diálogo, Jonas sentiu como que um arrepio percorrer sua espinha, pensou:
    – Como assim? Anita me disse que ela era Suzana, então Grande Deus, como um pai nesta vida pode ter sido marido em uma vida passada? É melhor eu pensar mais sobre este assunto, não posso dizer isto a meu filho, ele não vai entender, como eu não entendo.
    Percílio estranhou o prolongado silêncio de seu pai, tentando conduzir o assunto e descobrir mais, disse:
    – Me conta mais sobre este lugar, fiquei muito curioso, como estava Anita, ela não te disse nada mesmo?
    Confuso, Jonas decidiu colocar uma pedra sobre o assunto, replicou:
    – Ela estava linda como sempre, mas vamos falar sobre o motivo que te trouxe aqui, o que mesmo você quer conversar sobre Pilar?
    Sentindo que o pai escondia alguma coisa, o rapaz resolveu dar tempo ao tempo, quando Jonas estivesse mais à vontade, retomariam o assunto, pensou.
    Prosseguiu a conversa sobre a sobrinha.
    – Gostaria de te fazer uma pergunta, você percebeu olhares diferentes de Pilar em direção a Silinho?
    – Como assim? Olhar de enamorados?
    – Sim pai, olhar de alguém que não vê apenas o primo.
    Jonas pensou um pouco, respondeu sem muita convicção.
    – Eu não sou muito bom em perceber estas coisas, mas o que eu sei, é que outro dia Pilar me disse que estava em idade de se casar, pois não queria ficar solteira e chata, e que até agora não tinha encontrado ninguém.
    Percilio soltou um largo sorriso, disse:
    – Foi Sibila que me alertou sobre isso, ela me contou, que Rute havia lhe dito que gostaria muito de ajudar Pilar a se aproximar de Silinho, pois ela estava apaixonada por ele, mas que isso precisava ficar em segredo, pois senão, Pilar não confiaria mais nela.
    -Filho!! Você está pensando no que eu estou pensando?
    -Grande Deus! É uma maravilhosa oportunidade de por fim a tantos conflitos!

continua na próxima quarta-feira

 

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