Mykonos-65

voltar a introdução

voltar a Mykonos-64

   Pigarreou, visivelmente embaraçada, completou:
   – A senhora deve ser a esposa do Sr. Merriot, poderia me dizer onde minha mãe está?
   A bondosa mulher, pediu que Mirtes se sentasse na poltrona que se encontrava ao lado da cama, olhou firmemente para Percilio e disse:
   – Meu filho, aguarde com seu pai na sala notícias de sua sogra, que eu gostaria de conversar um pouco com sua esposa.
   Contrariado, sem dizer palavra, Percilio, segurando o braço do pai, saiu do quarto, fechou a porta do aposento. Mirtes, não teve nem tempo de buscar entender o que estava acontecendo, aquela mulher parecia que a hipnotizava, tal o grau de simpatia que sentiu por ela. Depois de alguns segundos de absoluto silêncio, Ingrid falou:
   – Filha, conversei com sua mãe sobre você, isto, antes de ela ter sido acometida pelo mal que ainda não sabemos qual é. Eu gostaria de te dizer o seguinte, sua mãe é uma mulher sofredora, seu pai tentou assediá-la a força, e você, é a razão do  seu viver, à partir de agora, eu gostaria que você não mais se separasse dela.
   Mirtes não conseguia acreditar no que ouvia, talvez agora, Percilio concordasse que Sibele fosse morar na Grande Pedra.  Movida pelo sentimento de compaixão que sempre permeava  suas atitudes, Ingrid acreditou nas mentiras que Sibele inventou e acabou por determinar uma mudança de planos de Percilio em não receber a sogra em sua Comunidade. Trazendo as mesmas habilidades mediúnicas de Aimanon, Percilio tinha o poder de ouvir solicitações de seu espírito, calcados em acontecimentos ocorridos em vidas precedentes. Apesar de não ser capaz de ver espíritos tão claramente como Aimanon, ele ouvia a interferência de mentores, em especial de Suzana. Em uma vida no Oriente Médio anterior a Constantinopla, Sibele se chamava Madalena e era avó de Percilio, em face da morte de sua filha Maíra e do desaparecimento de seu genro, ela foi obrigada, contra sua vontade, a cuidar de seus netos, entre eles Aimanon/Percilio. Foi uma avó autoritária e má, se divertindo com o sofrimento das crianças, era por isso que Percilio sentia tanta desconfiança dela, mas o Alto determinou que havia a necessidade de aproximação para que antigos resgates fossem quitados.
  Mirtes pensou um pouco e decidiu ser terna e gentil, falou:
  – Minha senhora, agradeço muito seu carinho para com minha mãe, mas não precisa me pedir para não me separar dela, é tudo que desejo. Ocorre que na Comunidade que hoje moro não há lugar para ela, meu marido me disse que apesar de querer recebê-la não há como acomodá-la com dignidade.
   Ingrid respondeu de imediato:
   – Não se preocupe, pedirei a meu marido que envie alguns empregados até a Comunidade onde você mora, com material suficiente para construir uma cabana digna para sua mãe viver e ficar bem próxima de você.
   Mirtes suspirou fundo e sorriu, sua conversa envolta de interesse havia surtido efeito, é claro que ela queria que Sibele fosse morar na Grande Pedra, mas na caverna de Jonas era impossível, não havia espaço físico para mais um adulto, ainda mais agora que o bebê estava a caminho. Ela olhou fixamente para Ingrid e disse:
  – Não tenho palavras, a senhora é um anjo enviado pelo Grande Deus, mas se me permitir, gostaria de lhe pedir mais um favor.
  – Ingrid assentiu levemente com a cabeça.
  – Meu marido é muito humilde, mas mesmo assim, às vezes, deixa o orgulho falar mais alto, temo que ele não aceite este presente dado com tanto carinho, por isso, gostaria que a senhora falasse para ele que minha mãe não tem para onde ir.
  – É claro que direi, minha filha, como Sibele me disse, esta é a verdade, seu pai a maltratou e a expulsou de casa.
  Mirtes segurou a respiração, com medo que a mãe tivesse dito que não tinha parentes, pois se Percilio soubesse disso, ele jamais a perdoaria, mas pelo desenrolar da conversa, Sibele apenas não tocou no nome de Claudius, apesar de muitos em Semiris saberem que eram irmãos, mas pelo visto, Ingrid desconhecia.
  Neste momento, Merriot entra no quarto, se assustou com a presença de Mirtes. Disse:
  – Querida, o que esta moça está fazendo aqui?
  Delicamente Ingrid respondeu:
  – Pierre, ela é filha de Sibele, casualmente veio para Semiris se consultar com Dr. Alecsander, pois espera seu segundo filho.
  Mirtes, sentindo que precisava quebrar a antipatia que visivelmente Merriot sentiu por ela, disse:
   – Senhor, como está minha mãe?
   Sem maiores rodeios, Merriot falou:
   – Fora de perigo depois de tentar se matar.
   Ingrid, parecendo contrariada respondeu:
   – Pierre, não precisa entrar em detalhes, o importante é que ela não morrerá, por isso gostaria que auxiliasse  esta menina a ter sua mãe morando na Comunidade da Grande Pedra, ao lado dela.
   Parecendo não compreender onde a esposa queria chegar, Merriot simplesmente disse:
   – Meu amigo Jonas e seu filho Percilio, a levarão para a cabana de seu irmão Claudius, assim que ela puder caminhar. Dito isso, saiu sem nada dizer.
   Mirtes ficou muito contrariada, mas mesmo assim, tentou parecer serena. Ingrid perguntou de imediato:
   – Eu não sabia que ela era irmã de Claudius, em vista disso, tem para onde ir, meu marido tem razão, é para lá que ela deve ir.
   Sem maiores considerações, Mirtes se ajoelhou ao lado da cama e começou a chorar, dizendo:
   – Minha senhora, meu marido odeia minha mãe sem motivo e eu não posso viver sem ela, caso ela volte para a cabana na mata, eu irei com ela, abandono minha filha.
   Ingrid se assustou com  a reação da moça, pediu que se levantasse e falou com sinceridade:
   – Se isso é tão importante para você, farei o possível para auxiliar, afinal, o lugar de uma mãe é ao lado de seus filhos e não de seus irmãos.
  Dito isso, se levantou vagarosamente e se apoiando nos braços de Mirtes, pediu que esta a acompanhasse até a sala. Lá chegando, encontraram apenas Percilio, sentado no sofá. Ele aguardava o pai que tinha ido até ao armazém fazer alguns acertos com Merriot. Após o acerto que Sibele seria conduzida à cabana na mata, ele se sentia aliviado, mesmo porque, não tinha dado nenhuma importância aos achaques de Mirtes que afirmou não mais querer morar na Grande Pedra. Assim que a viu ao lado de Ingrid, disse:
   – Finalmente está tudo resolvido, sua mãe volta para a cabana na mata e você volta comigo para a Comunidade, onde é o seu lugar.
   Assim que percebeu que não tinha saudado a esposa de Merriot, a qual tinha grande apreço, disse envergonhado:
  – Me perdoe minha senhora, por não tê-la cumprimentado, os últimos acontecimentos me deixaram totalmente desconcertado.
  Ingrid estendeu a mão direita, cumprimentando-o com carinho, apertando levemente a mão mas com o olhar fixo nos olhos de Percilio. O rapaz sentiu-se como que hipnotizado, um raio de energia atingiu-o em cheio, a ponto de fazê-lo se arrepiar. Neste instante, ouve uma voz doce e serena que lhe diz:
   – Aimanon, ouça com muita atenção o que esta bondosa senhora tem a dizer, não retruque, não a contradiga, caso queira que sua segunda filha lhe traga tantas alegrias quanto Sibila.

continuação…..

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s