Mykonos-63

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   O grupo caminhou alegremente até a plataforma de areia que antecedia a entrada das cavernas, depositaram a amarra cuidadosamente no chão, enquanto Jonas pegava a neta com todo o cuidado em seus braços. Aos poucos, toda a Comunidade foi se aproximando.  Mirla, acompanhada de seus filhos menores saudou a cunhada com um abraço não retribuído, mas nada parecia ofuscar o brilho deste momento tão especial, nem mesmo a ausência de Laurinha e Luizinha, que juntamente com seus familiares fizeram questão de não participar da acolhida.
   Jonas pediu que Percilio e Mirtes o acompanhassem até sua caverna, caminhou lentamente, aconchegando Sibila em seus braços. Ao entrarem no local, disse que a família iria de inicio compartilhar a caverna com ele e Cirilo, pois de imediato, a única que estava vazia não estava disponível.
Percilio concordou, mesmo sentindo o descontentamento da esposa que já havia informado que queria morar em um local onde não fosse importunada por ninguém. Neste momento, Sibila chorou, e a princípio, nada mais foi dito a respeito da nova moradia.
CAPITULO 7
O REENCONTRO DAS AMIGAS
   Três meses se passaram, Sibila se recuperou totalmente, a gravidez de Mirtes prosseguia sem maiores aborrecimentos, a não ser, o sentimento de rejeição que ela nutria pelo novo bebê e que àquela altura se estendia também para a filha mais velha. Ela sentia falta da mãe e creditava a distância o fato de não conseguir ser uma boa mãe. Algumas vezes tinha tentado conversar com Percilio a respeito de buscar Sibele, mas desde que haviam chegado a Grande Pedra, seu marido havia perdido totalmente o perfil inocente de Nael e se tornado objetivo e seguro. Não havia argumentos que o convencesse que ela não estava feliz com a situação atual.
   Um dia, depois que Percilio e Jonas voltaram da plantação, Mirtes simulou um mal estar, pois já não aguentava mais cuidar da caverna, que dizia, ser sufocante, pequena e escura. Com receio que ela perdesse o bebê, Percilio decidiu levá-la para Semiris, afinal já faziam três meses que haviam chegado e já era hora de buscar notícias de seus pais. Claudius costumava ir a vila todo começo de semana para levar unguentos e preparados para serem vendidos e embarcados para as outras localidades próximas a Mykonos.
   A decisão foi rápida, ao ver  esposa se contorcendo de dor, Percilio chamou Jonas e disse:
   – Pai, não posso deixar Mirtes sofrendo deste jeito, temo pela sua vida e de nossa menina, vou levá-la amanhã bem cedo para uma consulta com Dr.Alecsander.
Jonas concordou de pronto, apesar de não ter uma relação muito amigável com a nora, ele jamais deixaria que sua saúde corresse risco. Disse para o filho:
   – Eu vou com vocês, Mirla cuidará de Sibila, antes do entardecer estaremos de volta.
Mirtes, de olhos fechados, deitada na cama, toda encolhida, simulando dor intensa, não perdeu uma palavra da conversa. Ao ouvir a decisão, ela abriu um sorriso de satisfação e pensou:
   – Consegui!
  Assim que Cirilo chegou, Jonas informou que partiria no dia seguinte em companhia de Percilio e Mirtes. Pediu que ele conduzisse os trabalhos na plantação e não deixasse de cobrar Lêntulo, pois, desde a morte de Maila, ele se tornou muito mais arredio, muitas vezes Jonas tinha a impressão que havia desistido de viver. O verdadeiro motivo de tanto desencanto pela vida mal passava pela cabeça do pai. O menino nascera com uma deficiência visual séria, assim como Joninho, em menor intensidade. Ao contrário do irmão que sempre escondeu com galhardia o problema, usando de todos os tipos de artimanhas, Lêntulo, desde muito pequeno, se agarrou a mãe e se afastou do convívio com as outras crianças, com o tempo, fez disso uma válvula de escape para suportar a miopia que beirava os seis graus. Naquela época, ainda não havia nenhum meio de correção e a vida dos deficientes deveriam ser adaptadas da melhor maneira. O menino sempre imaginou que todos eram como ele e acreditava que era realmente diferente, a única pessoa que o fazia sentir seguro era sua mãe, que sempre o conduzia onde quer que ele fosse,  com sua morte, perdeu totalmente a prazer de viver, caminhando a passos largos para uma profunda depressão. Neste período, morando na Grande Pedra, Percilio observou de perto o comportamento do irmão e alguma coisa lhe dizia que ele poderia descobrir um meio de auxiliá-lo.
   Mirtes teve muita dificuldade em dormir naquela noite, ela estava em jubilo, muitas ideias lhe passaram pela cabeça, inclusive de não mais voltar para a Grande Pedra. O que ela não imaginava é que o destino lhe daria uma ajuda inimaginável.
   Assim que amanheceu, o pequeno grupo se pôs a caminho, os dois homens e uma saltitante Mirtes, que nem de leve lembrava aquela mulher chorosa do dia anterior. De início, Percilio pensou em interroga-la a respeito da súbita melhora, mas depois, decidiu não tocar no assunto, pois, ele mesmo, estava ansioso por reencontrar antigos amigos, em especial, o francês Merriot, que era quem negociava a produção de Claudius e com certeza saberia lhe dizer se tudo estava bem na cabana no meio da mata. Em nenhum momento, passou pela cabeça do marido de Mirtes saber notícias de Sibele, para ele, era como se ela jamais tivesse convivido em sua companhia. Depois de uma cansativa caminhada, avistaram as velas de uma embarcação aportada no humilde ancoradouro. Imediatamente Percilio relembrou o dia em que pela primeira vez pisou em Semiris, ainda garoto, comparou a embarcação que visualizou naquela manhã, a muitos anos atrás, a um palácio flutuante. Hoje, esta, lhe pareceu pequena e acanhada. Absorto em seus pensamentos, não percebeu que Mirtes tinha parado de caminhar. Jonas, como sempre, tinha tomado à frente, andava a passos largos em direção ao barracão de Merriot. Ao ouvir o grito da mulher pedindo que parasse, Percilio retornou dos pensamentos que o levava para bem longe dali. Olhou para trás, viu Mirtes a uns dez metros de distância, sentada em uma pedra, de imediato, voltou para ver o que havia acontecido. Assim que chegou perto o suficiente, Mirtes disse:
    – Naim!!
   Ela se recusava terminantemente de chamá-lo de Percilio, dizia que isto era uma grande bobagem, casou-se com Naim e prosseguiria casada com ele.
   – O que aconteceu? Você está bem? Perguntou Percilio, demonstrando sinais de preocupação. Mirtes respondeu:
   – Eu estou ótima, apenas um pouco cansada; eu parei, porque preciso conversar com você sem a presença de seu pai.

continuação…..

 

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