Mykonos-49

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CAPITULO 6

A VOLTA DE SUZANA

     Um mês se passou, sem maiores novidades, Nael perdera sua usual alegria, algo lhe dizia que tinha cometido um grande erro se casando com Mirtes. Um dia após o casamento, ela teve uma crise grave, ficou horas, absolutamente alheia à realidade, e quando alguém se aproximava saia correndo e se escondia atrás do fogão a lenha. Sibele tentou por todos os meios esconder o fato do irmão, que naquele dia estava em Lagos em companhia de Nael, mas quando Sara ficou sabendo, não teve dúvidas, durante o jantar, apesar de Mirtes já ter se recuperado, contou tudo a Nael e Claudius. Os dois ficaram estupefatos, devido o fato de ter acontecido tão próximo ao casamento, sinal que as crises seriam frequentes. Mirtes, correu a se abrigar no colo da mãe, ficou uma semana sem conversar com Sara, pois havia implorado que ela escondesse o fato de seu marido e seu tio.
     Sara estava muito aborrecida, pois seu marido havia contado a ela, logo após ao casamento,  a respeito da gravidez da nora. A esposa de Claudius, sem maiores rodeios, afirmou que Mirtes estava mentindo, jamais Nael abusaria de sua inocência e depois não se lembraria. Isto, rendeu uma discussão intensa, Claudius a acusou de alcoviteira, disse que sua sobrinha jamais mentiria sobre um fato tão grave e que acreditava que se houvesse algum mentiroso neste episódio, este seria Nael, pois jamais um homem se esqueceria de uma relação carnal, ainda mais sendo a primeira. O casal ficou tão estremecido que Sara pensou até em deixá-lo, mas não o fez devido o amor que sentia por ele e por Nael. Decidiram passar uma borracha no episódio, mas isto, fez com que Sara ficasse em alerta em defesa do filho. Prosseguiu agindo como se não soubesse de nada. No dia da nova crise, apesar dos apelos de Sibele e de sua filha, Sara não se intimidou, queria por toda forma proteger Nael e acreditava que a melhor forma era não esconder nada dele.
       Apesar do mal-estar, o acontecido não gerou maiores consequências, apenas a rispidez e o desprezo com que Mirtes tratava a dona da casa, mas esta não se importou, prosseguiu apenas observando o desenrolar da suposta gravidez. Mais um mês se passou, e nada da barriga crescer, nem mesmo qualquer sinal de um bebê estar alojado no útero de Mirtes. Quando Nael e Claudius estavam presentes, Mirtes simulava alguns enjoos e mais nada. Sara apenas observava. Após dois meses e meio do casamento, ou melhor, de uma gravidez que pelos cálculos deveria ter pelo menos quatro meses, Sara chamou Claudius e Nael para darem uma volta, aproveitou a ausência da cunhada e da nora. Elas tinham ido a uma Comunidade próxima em busca de tecidos para confeccionar o enxoval do bebê.
     Sara foi taxativa:
     – Mirtes não está grávida, ela está mentindo!
     Desta vez Claudius não foi tão incisivo em defender a sobrinha, pois ele mesmo, não vendo a evolução da gestação, já estava mudando de ideia com relação a sinceridade da nora. Nael, com sua usual ingenuidade disse:
     – Não mãe, Mirtes jamais mentiria, ela me disse que já sente o bebê mexer.
     Sara olhou fixamente para Nael e falou com segurança:
     – Como pode sentir o bebê mexer se não há nenhum bebê em sua barriga? Mirtes continua tendo regras normalmente, eu mesmo a vi lavando os panos no rio.
     Com esta revelação, os dois começaram a dar razão a Sara, que se antecipou a qualquer comentário dizendo:
     – Precisamos desmascará-la, nos três juntos.
     Claudius sugeriu que a colocassem contra a parede. Exigissem que ela se submetesse a um exame médico. Procurariam Dr. Alecsander, que naqueles dias estava em Semiris. Nael, totalmente desconcertado, pois já tinha se acostumado a ideia de ser pai, pediu que o deixassem à parte dos próximos acontecimentos, pois mesmo com a descoberta de Sara, ele não acreditava que a esposa estava mentindo.
     Quando voltaram para casa, encontraram a cabana vazia, elas ainda não haviam chegado, apesar de já ser tempo de retornarem. Naquele dia, as duas não voltaram. Claudius e Nael, assim que escureceu, foram atrás delas, pois temiam que tivessem se perdido na mata fechada. Quando chegaram a Comunidade de Sentra, a mais ou menos três quilômetros de distância, não as encontraram. Claudius perguntou a alguns conhecidos, mas ninguém as tinha visto, apenas uma velha senhora de nome Amara, disse que estiveram lá durante a tarde, mas que Mirtes começou a se sentir mal, então voltaram para casa. Os dois, correram de volta para cabana, mas Sara disse que elas não tinham chegado.
     Decidiram aguardar até o amanhecer e procurar na mata, talvez Mirtes estivesse muito mal e Sibele não conseguiu trazê-la de volta. Assim que os primeiros raios de luz entraram pela abertura do teto da cabana, Claudius se preparou para sair, pediu para Nael procurar nas proximidades da casa, que ele procuraria na mata e se fosse o caso iria até Lagos, talvez tivessem ido até a casa de Jairo.
     E assim foi feito. Claudius caminhou muito, revirou a mata e nada. Enquanto isto Nael, desobedecendo as ordens de seu pai, seguiu direto para Lagos. Lá chegando, cruzou com Jairo em uma das entradas da pequena localidade. Este saudou-o rapidamente e prosseguiu seu trajeto, não se encontrava em um de seus melhores dias, nem ao menos parou para pensar o que Nael fazia sozinho àquela hora do dia tão longe de sua casa.
     Assim que se afastou do sogro, Nael sentou-se para pensar no que fazer. Era certo que Jairo desconhecia o paradeiro de Mirtes e Sibele. E agora? Nael não sabia onde procurar, mas de repente teve uma ideia. Decidiu ir até a casa de August, o ancião que celebrou seu casamento. Já havia ouvido falar que ele também fazia as vezes de adivinho, quem sabe ele poderia dizer onde sua esposa tinha ido. A medida que se aproximava da choupana onde o antigo professor vivia, Nael teve a impressão de ter visualizado um grande rio ao fundo. Pensou indeciso:
      – Acho que estou tendo alucinações, não há nenhum rio por aqui.
     Mas, por mais que tentasse desviar o pensamento e o olhar, o rio continuava lá, as águas se movimentando lentamente como se quisessem informar que tinham vida. Nael fechou os olhos, uma grande lágrima escorreu de por sua face, em um istmo de segundo, imaginou que havia adquirido a doença de Mirtes. Ainda com os olhos fechados, sentiu que uma mão pousou sobre seu ombro. Assim que abriu os olhos, percebeu que o rio havia desaparecido, apenas uma imensidão de terra batida se descortinava à sua frente. Voltou-se rapidamente, e lá estava o velho Menéas que se confundia com a aparência mal cuidada de August. Nael estava prestes a ter um ataque nervoso, mas se conteve, engoliu seco e perguntou:
     – O Senhor se lembra da minha esposa? Por acaso a viu recentemente?
     August sorriu e sem dizer palavra convidou Nael para entrar na cabana. Logo após celebrar o casamento do rapaz que se encontrava diante dele, o ancião teve vários lapsos de tempo rompido, lembrou-se perfeitamente do menino Aimanon aprendendo a pescar, sentiu o carinho que nutria por ele e sua esposa Suzana, e teve certeza absoluta, a atual esposa o faria sofrer muito, mas nada poderia fazer. Esta oportunidade de estar diante do rapaz que ajudou a trazer infelicidade para sua vida, era imperdível, por isso buscava as palavras certas para não cometer nenhum engano como da outra vez que negligenciou a intuição de que ele não seria feliz.
    Assim que serviu uma xícara de chá, pediu que o rapaz dissesse o que o trazia realmente a sua casa. Nael estranhou a pergunta e mais ainda a demora do ancião em lhe responder a pergunta simples que ele havia feito. Era só dizer sim ou não, mas já fazia quase meia hora que ele aguardava o chá ficar pronto para ser servido e depois deste tempo todo lhe perguntava qual o motivo que o trazia lá. Nael tentou esconder o desapontamento, mas mesmo assim disse com tranquilidade:
     – Minha esposa, e minha sogra desapareceram, eu gostaria que o senhor me auxiliasse a localizá-las.

continuação…

 

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