Mykonos-29

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    Rosana foi acolhida por Ana e Rafael.  Celina já era idosa, cuidaria dela de bom grado até o final de sua vida mas ao saber que o casal pretendia deixar a Itália, pediu que a levassem junto com eles, pois só ela sabia o motivo de tantos atos sanguinários. Rosana precisaria ser protegida, e só partindo daquele local se veria em segurança. No dia que a embarcação levantou âncoras rumo a Grécia, Celina também padeceu sob a espada dos bárbaros. Os invasores sabendo que a menina estava sendo acolhida pela velha senhora, voltaram para buscá-la. Mas já era tarde, eles conseguiram apenas avistar as velas da embarcação do capitão Mirko que se confundia com o horizonte e o azul do mar. Celina salvou a vida de Rosana porque sabia que sua mãe Ceres havia se colocado diante da espada do líder bárbaro para protegê-la. No passado, ela própria havia sido arrancada do seio de sua família para servir aos invasores. Na primeira oportunidade, fugiu, e foi se abrigar na casa de Celina – uma antiga vizinha de seus pais. Durante alguns anos viveu tranquilamente, casou-se com um amigo da família e teve os dois filhos – Rosana e Nilo. Um dia, seu marido foi capturado pelos bárbaros, e contou sob tortura, a história de sua esposa. Samuel, o líder dos bárbaros, a muito buscava a menina fujona. Depois de assassinar o pai, ordenou que buscassem a filha para prosseguir o trabalho que a mãe havia deixado de fazer.
   O destino comandado pelo Pai Maior a colocara diante da filha que tanto amou em uma vida precedente. A Lei da Reencarnação, restaura as convivências que se viram aprimoradas através dos laços de amor e doação ou promove a aproximação para que laços de ódio e exclusão sejam superados como foi o caso de Jonas e seu filho Joninho. Cabe a cada um aproveitar a nova oportunidade, independente do motivo pelo qual lhe foi concedida.
   Quando os homens chegaram da lida, Rosana e Ana já estavam mais calmas. Rafael se incumbiu de relatar tudo que havia ocorrido. Terêncio começou a chorar, pedindo perdão a todos por ter sido tão cego a ponto de se apaixonar por uma assassina. Jonas o acalmou dizendo:
    – Amigo, não pense desta maneira, ninguém poderia saber que ela poderia chegar a tentar cometer um ato tão desiquilibrado. Só podemos creditar a alguma alteração mental.
   Ana interveio neste momento, dizendo:
   – Jonas, pare de defende-la, ela é bem lúcida. Senão não agiria de uma maneira tão ardilosa. Se conseguisse o seu intento, com certeza, vocês desconfiariam de Rafael. Sem testemunhas, ela poderia dizer que ele teria feito isso, por amor a ela.
   Neste momento, todos se calaram, e perceberam que Ana tinha toda razão. Até Jonas deu a mão à palmatória. Depois de alguns minutos, concluiu:
   – Temo que Ana tenha razão, sua linha de raciocínio é muito lógica.
   Rafael olhou para a esposa e agradeceu ao Grande Deus por ter lhe presenteado com sua vida de volta e à seguir se dirigiu a Rosana, dizendo:
   – Menina, você salvou nossas vidas, lhe serei eternamente grato. De hoje em diante, se considere nossa filha.
   Os três se abraçaram aos prantos, como faziam em Constantinopla, quando Anele, que tinha saúde muito frágil, muitas vezes se viu à beira da morte. Ela sempre tinha ao seu lado, sua mãe Mirna e sua avó Tereza.

continuação…

 

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