Mykonos-12

voltar a introdução

voltar a Mykonos-11

 

    Na manhã seguinte, os seis homens escolhidos partiram em direção da Vila Cantar, entre eles Rafael, Rubens e Atílio. Jonas, Alberto e Josias não participaram do grupo, para não parecer que estavam muito necessitados dos equipamentos. Após quase trinta horas de caminhada, chegaram à Vila, foram novamente recebidos por Dr. Alecsander que havia retornado para cuidar de outra paciente terminal. Ele ficou muito feliz em vê-los, se aproximou sorrindo, dizendo:
    – Que bons ventos os trazem, amigos!
    Foi Rafael o encarregado de fazer o primeiro contato com os moradores que respondeu.
    – Doutor nós estamos aqui para buscar os equipamentos que Mario não conseguiu levar com ele.
    – Eu entendo, sabíamos que vocês viriam. O próprio Mario me disse, que assim que chegasse no acampamento, pediria que o auxiliassem a levar os equipamentos.
    –  Mas por que ele não veio?
    Rafael não contava com esta pergunta, titubeou uns instantes.
    Foi Atílio que veio em seu auxilio.
    – Dr Alecsander, Mario estava indisposto.
    O velho médico soltou um largo sorriso, dizendo:
    – Confessem, ele estava era com preguiça!
    Esta frase, acalmou os ânimos, todos se manifestaram sorrindo.
    – Vou pedir que Hipólito traga os equipamentos.
    Os seis homens se entreolharam preocupados, afinal, era o mesmo nativo que tinha sido rechaçado por Mario, e se ele soubesse de alguma coisa? Ou se tivesse sido ele mesmo a ter dado fim à vida do preguiçoso?
    Dr. Alecsander pediu que um garoto chamasse Hipólito, que se aproximou com receio, afinal ele tinha certeza que algo tinha acontecido, caso contrário estes homens não estariam lá. Assim que todos se cumprimentaram, o velho médico se recolheu à cabana da doente.
    Hipólito foi o primeiro a falar:
    – O que vocês desejam?
    Rafael novamente tomou à frente e repetiu que tinham vindo buscar os equipamentos que Mario havia adquirido.
    Hipólito pensou um pouco, e disse:
    – Está bem, eu vou buscar para vocês. Mas primeiro me digam:
    – Ele está morto, não está?
    Esta pergunta pegou a todos de surpresa. Foi Atílio que replicou:
    – Por que você está nos perguntando isto? Sabe de alguma coisa?
    Hipólito, meio atrapalhado, disse:
    – Eu não sei de nada, apenas sinto que ele não vive mais, pois o velho Mario era tão teimoso que com certeza algo de ruim deve ter acontecido a ele, estas paragens são perigosas, não é qualquer um que pode enfrentá-las, muito menos ele que não respeitava nada, nem ninguém.
    Novamente foi Atílio que tomou à frente:
    – Hipólito, nós viemos buscar os equipamentos, porque precisamos deles para produzir alimento para nossas famílias.
    O nativo viu nesta resposta, a confirmação de suas suspeitas, desde a partida de Mario, ele vinha sonhando frequentemente com ele, lhe pedindo que o auxiliasse, pois estava prestes a morrer. Ele virou de costas e foi buscar os equipamentos.
    Poucos minutos depois, voltou com três arados e um moinho de trigo. Disse para o grupo:
    – Espero que consigam o objetivo de vocês. Plantar e sustentar suas famílias.
    – Agradecemos imensamente sua solicitude. Disse Atílio com deferência.
    – Eu que agradeço a educação de vocês, que sempre nos trataram de igual para igual, não como Mario que sempre nos rechaçou e humilhou. Afirmou Hipólito com todas as letras.
    Passou-se um minuto de silencio absoluto. Foi Terêncio, um dos homens do grupo de seis que se deslocaram até a Vila que primeiro respondeu.
    – Hipólito, estamos a sua inteira disposição, se um dia precisar de nosso apoio ou guarida é só nos procurar.
    O nativo ficou muito emocionado com a afirmação. Disse com lágrimas nos olhos:
    – Vocês são os primeiros a me trazer alento, depois de Dr. Alecsander, por isso, tenham certeza que assim que tudo terminar eu os procurarei.
    Os seis homens ficaram sem entender o que Hipólito estava querendo dizer e com receio de serem indiscretos nada perguntaram, ele também nada falou além do que já havia dito. Se despediram com cortesia, prometendo se encontrarem breve. Assim que se afastaram, Atílio comentou com os amigos:
    – Vocês não acharam que ele estava muito misterioso? O que será que está acontecendo?
    Rafael, que muitas vezes tinha intuições fortuitas, respondeu:
    – Eu acho que é a esposa dele que é a doente que o Dr. Alecsander veio cuidar desta vez.
    Rubens respondeu sem muito pensar:
    – Rafael, você como sempre, imaginando coisas, eu conheci a esposa dele, ela é jovem e vendendo saúde. Ele também, é muito jovem para ficar viúvo, como eu.
    A conversa se encerrou por aí, eles tinham ainda uma longa caminhada pela frente, e agora com todos aqueles equipamentos, com certeza, demorariam muito mais que trinta horas para voltar ao acampamento. Foi uma travessia muito difícil, enfrentaram a chuva, que nesta época do ano era quase intermitente e o frio cortante das intermináveis madrugadas. Terêncio teve muita dificuldade de prosseguir, ele era o mais velho do grupo, contava com quase cinquenta anos e sofria de reumatismo. Sentiu muitas dores durante o trajeto, à ponto de pedir a Atílio que o deixassem para trás, e que ele só veio porque não teve alternativa, sua esposa Tânia o espezinhava e dizia que era um fraco, por isso se ofereceu para fazer parte do grupo, escondendo de todos o problema que muito o incomodava. Os amigos ficaram muito pesarosos com a situação de Terêncio, tanto física como emocional e todos concordaram em carregá-lo se fosse necessário, mas todos chegariam juntos. O segredo do amigo seria o segredo de todos, jamais Tânia saberia pela boca de nenhum deles o que realmente havia ocorrido. Terêncio foi às lagrimas de tanta emoção, ele agradeceu longamente a cada um deles e como haviam combinado, a caminhada prosseguiu, sem que ninguém ficasse para trás. Depois de trinta e nove horas, finalmente chegaram ao destino. Todos aguardavam ansiosos, pois não sabiam o que havia acontecido.
    Jonas, foi o primeiro a saudá-los. Quando viu os equipamentos, se ajoelhou e fez uma oração improvisada, dizendo:
    – Obrigada Pai, por mais esta benção. Espero que sejamos merecedores de tanta complacência. Em nome do nosso grupo eu agradeço sua misericórdia.

continuação… 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s