Constantinopla-23

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    Após uma hora, mamãe abriu a porta e disse:
    – É uma linda menina!
    Ouvi sem realmente compreender, pois ela não disse que ela havia nascido, falei:
    – Mas ela nasceu?
    Todos riram de mim, Catarina disse:
    – É claro Aimanon, como mamãe saberia que era uma menina se não tivesse nascido?
    Só assim compreendi, a menininha de olhos azuis, cabelos cacheados e que gosta de nam com geléia : – CHEGOU !
   Nos abraçamos, mamãe pediu para esperar um pouco, pois Tia Adelane estava banhando-a, meu coração parecia que explodiria, a felicidade era tão grande que me esqueci de agradecer à mamãe por trazer esta noticia tão prazerosa.
   Após longos minutos, a porta do quarto se abre e vejo vovó carregando nossa filhinha, que ao longe parecia um pequeno embrulho de tantos panos que recobriam seu corpo.  Levantei da esteira e me aproximei trêmulo, quando cheguei perto o suficiente para vislumbrar seu rosto, minha visão se embaçou e uma voz suave me disse:
    – Aimanon, esta menina é um presente do Grande Deus para você e sua esposa, cuidem dela com muito amor e carinho, mais jamais esqueça, que ela, assim como as outras crianças que virão, são sementes que deverão germinar em muitas terras distantes e nunca pensem que são só de vocês.  Quando chegar o momento certo, todos partirão, inclusive ela.
    Quando me recompus, vi Catarina diante de mim segurando um copo de água, que recusei.  Olhei novamente para o rostinho do tamanho de uma romã e desta vez vi claramente, a boca pequenina do formato de um coração, os olhos estavam fechados, mas via-se dois risquinhos que eu sabia guardar duas safiras azuis da cor do céu, o narizinho perfeito era uma miniatura do de Suzana e o cabelo muito preto emoldurava aquele rosto perfeito.
    Vovó olhou para mim e disse:
    – Aimanon, carregue sua filha!
    Estendeu os braços e me ofereceu aquele embrulho de luz. Dei um passo para trás com medo de machucá-la, mas Catarina veio ao meu socorro dizendo:
    – Não tenha receio, imagine que ela é um buquê de flores, assim você saberá que não pode apertar, nem ser descuidado.
    Criei coragem e estendi meus braços, segurei nossa filha pela primeira vez, junto ao meu coração, senti seu calor e uma energia totalmente desconhecida se apossou de mim, algo que me fazia ter vontade de rir e chorar ao mesmo tempo, era um misto de emoção e felicidade que não existem palavras para descrever.
   Após um tempo, que não sei precisar quanto, ela chorou e eu me assustei, vovó pediu que eu a levasse ao quarto, pois Suzana nos aguardava.  Quando entrei com nossa filha nos braços, minha esposa falou:
    – Querido, agora sim, somos realmente felizes, pois ainda faltava a razão da missão que o Grande Deus nos solicitou.
  Neste momento estávamos apenas eu, Suzana e Tia Adelane no quarto, e esta completou:
    – Meus filhos, o real motivo de estarmos aqui, vivos, é cumprirmos a missão que nos foi pedida antes de nascermos, só assim podemos sorrir e sentir o amor do Grande Deus, portanto cumpram com amor e responsabilidade a de vocês, desta maneira a felicidade invadirá este lar e trará equilíbrio à vida de todos.
    Tia Adelane abriu um largo sorriso e nos abraçou emocionada.  Fiquei tão tocado por suas palavras que mal balbuciei um agradecimento.  Beijei Suzana e pedi que entrassem um a um para não assustar a bebezinha, que agora dormia tranquila nos braços da mãe.
    Catarina foi a primeira a entrar, dizendo:
  – Suzana e Aimanon, agradeço ao Grande Deus por trazerem ao mundo esta menininha linda e permitir que de agora em diante possa dizer a todos:
     – Catarina é titia, tenho uma sobrinha que se chama….
  Olhou para nós, para que completássemos a frase. Em coro eu e Suzana respondemos:
    – ARMANIDE !
    Ela e Tia Adelane nos olharam parecendo não terem entendido, Catarina retrucou:
    – Como assim ? Que nome mais diferente!
    Suzana falou :
    – Eu e Aimanon decidimos na semana passada, se fosse menino seria Túlio como o irmão de vovó Rute, se fosse menina seria Armanide como a irmã de vovô Iane, pois sem os conhecermos sabemos que esta grande família só se formou por força do amor dos dois e que tanto Túlio como Armanide sempre torceram e os auxiliaram para que este amor pudesse gerar esta nossa família.
    Catarina ouviu atentamente e com seu jeito de moleca que às vezes se fazia presente, disse:
    – Espero que daqui a muitos anos algum sobrinho-neto se lembre que eu sempre torci pela felicidade de vocês dois e coloquem o nome de Catarina em um lindo bebezinho.
   Todos rimos da brincadeira, mas naquele momento, mal sabíamos que no futuro muitas Catarinas viriam, devido a lembrança daquela tia maravilhosa.
    Minha sogra entrou no quarto, mal contendo as lagrimas disse:
    – Filhos, este é um momento de grande felicidade, pois vejo nascer o fruto de meu amor por Nuno, que com certeza também estaria muito feliz se os Deuses tivessem permitido que ele permanecesse conosco.
   Ao ouvir estas palavras, tive vontade de contar o que via naquele momento: Tio Nuno ao seu lado, observando-a com os olhos protetores que sempre carregou, mas me contive, apenas assenti com a cabeça e pedi que ela carregasse Armanide.  O prazer que vi em seu rosto me deu a certeza que esta neta seria para sempre a sua favorita.
    Mamãe e meus irmãos se foram no final da tarde, ela pediu que Catarina e vovó ficassem conosco, pois Tia Adelaide teria que retornar devido os meninos que ainda eram muito pequenos.
    Armanide dormiu tranquila, só acordando quando estava com fome ou molhada.  No dia seguinte Suzana se levantou, mas nós a impedimos que fizesse qualquer tarefa, a não ser amamentar nossa filha.  No final da primeira semana, vovó voltou para casa, mas mamãe exigiu que Catarina ficasse por mais três semanas.  Minha irmã ficou feliz, porque sentia muito prazer em ajudar Suzana a cuidar de Armanide e não se importava de fazer todos os afazeres da casa, desde lavar roupas até cozinhar.
    Neste primeiro mês não mais voltamos a ler os livros de Tio Elias, pois no final do dia, todos estavam exaustos, inclusive eu, que não vi minha rotina de trabalho alterada, mas quando chegava em casa só tinha olhos para minha filha, que parecia me hipnotizar, como dizia minha irmã.
    Os dias foram passando, após quinze dias do nascimento  de Armanide, recebemos a noticia da morte de Menéas.  Naquela manhã, ao chegar à beira do rio para mais um dia de trabalho, vi um movimento anormal, logo fiquei sabendo que Menéas havia sido encontrado naquela noite, morto à margem do rio, como acontecera com seu filho Omar, sem causa aparente.  Ao saber, me desesperei, cai de joelhos e orei ao Grande Deus como nunca havia feito, pedindo que o recebesse e o poupasse de mais sofrimento.  A voz me disse baixinho:
    – Aimanon, Menéas já tinha sido recebido pelo Grande Deus mesmo antes de seu coração parar de bater, ele aguardava apenas a chegada de Armanide, pois agora que você já está preparado, quem prosseguirá sua missão de informar aos homens que quem criou e conduz a vida nesta terra é o Grande Deus, será você, portanto se prepare, a partir de agora muitos te procurarão porque sabem que você já tem às respostas.

continuação...

 

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