Santorini

O sol iluminava
Toda a ilha
Anele sentada
No banco
Do jardim
Da casa simples
Mais perfumada
Pensava
Em sua mãe
Que acabara de partir!
Porque no jardim
No meio das flores
E dos pintassilgos?

Neste momento
Chega Sulaine
A irmã mais velha
Amiga e protetora
A menina de três anos
Exclama:
Vovó disse
Que mamãe
Não vai voltar mais
A cobra venenosa a matou!

Sulaine responde
Carinhosamente
Não se preocupe…
Eu e vovó
Faremos seu mingau
Pentearemos seu cabelo
Daremos seu banho
Cantaremos para você dormir

A menina de
Três anos
Abaixou a cabeça
Falou baixinho
“O Grande Deus cuidará dela”
A irmã mais velha
Se espanta
Com o que ouviu
O que você disse?
Perguntou Sulaine

Com os olhos marejados
A menina responde:
Eu vejo um Grande Deus
Bondoso e amigo
Cuidando de mamãe
Você não vê?
A irmã mais velha
Descrente
Pensou
Quem disse isso a ela?
Vovó acredita em vários Deuses
E eu também…
Acho que sou como ela!

Agora eu pergunto:
Quem disse?
Se o pai
De tão desconsolado
Mal pronuncia uma palavra
Os parentes e vizinhos?
Todos politeístas…

Ora, é fácil matar a charada
Anele é Suzana
Que aprendeu com Aimanon
A Amar e respeitar
O Grande Deus
Que plantou flores mil
E dizia para seus filhos
As flores
São os brinquedos
Dos passarinhos!
E o que ela
Esta fazendo
Nesta ilhota
Com apenas
Cem moradores?

Deus pediu que
Ela aguardasse
Até crescer um pouquinho
Que assim
Que estivesse grandinha
Um belo rapaz a levaria!
E aí!!
Muitas meninas
Ocupariam seu ventre
Para que ela
As ensinasse a Amar
Assim como havia feito
Em Constantinopla
Com doze crianças
Traquinas…

É certo,
Que desta vez
Não Seria Aimanon
Seu companheiro de jornada
Mas ela aceitou
Mesmo assim
Quem sabe…
Outras lições preciosas
Ela aprenderia
Com Iago Ankrone
Afinal,
Suzana adora aprender!

Poeta Estelar


O texto abaixo é parte integrante do Livro “A Caminho da Redenção” elaborado por Dez Espíritos de Luz entre eles Aimanon Constantinus Crione e Madre Tereza D’avila. Recebido por Elza Horai. Para melhor entendimento deste texto e da Poesia acima, sugerimos aos internautas que estão acessando este blog pela primeira vez que leiam os posts referentes as poesias “Familia” e “Lentas Conquistas”.
“A terceira encarnação teve lugar novamente durante a antiguidade Grega. Após a segunda trajetória, passaram-se aproximadamente cento e cinquenta anos terrenos para que a Família Silva se reunisse novamente, pouco a pouco, trajando corpos diferentes e buscando aprofundar os laços eternos. A ilha era minúscula, a ponto de ser possível atravessá-la caminhando de ponta a ponta em um único dia, lá viviam cerca de cem pessoas, todas com vínculos familiares umas com as outras. As casas eram muito próximas, permitindo que todos participassem dos inúmeros acontecimentos, como casamentos e mortes.
Mikolos e Juliene se casaram muito jovens, eram amigos desde pequenos e também primos de segundo grau. Ele era pescador, trabalhava a terra e também fazia artesanato, confeccionando cestos e esteiras que eram levadas para Creta e Atenas para serem vendidas.  Juliene cuidava da casa, das duas filhas do casal – Sulaine e Anele –, das cabras, dos meninos Ciro e Leminis, filhos de sua irmã Jiloma que tinha uma doença incurável, ou seja, lúpus – uma doença auto imune que na época pensava-se ser contagiosa. Jiloma foi abandonada pelo marido, ele partiu sem maiores avisos, e desde então, cada parente ajudava como podia. Nos dias tranquilos, Juliene também auxiliava Mikolos na lida com a terra e na confecção de cestos.
Foi num destes dias que ao acompanhar o marido no trabalho na plantação de algodão que ela foi mordida por uma cobra venenosa. Tinha vinte e seis anos e muita saúde, mas mesmo sendo levada para Atenas, onde existiam mais recursos, não resistiu. O dia que Mikolos chegou só, foi de imensa dor, a ilha se vestiu de negro, todos se reuniram na casa da família para orar e oferecer seus préstimos. Mikolos ficou arrasado com a perda e com o fato de não ter podido trazer o corpo de Juliene para Santorini. Ele acreditava piamente que ela tinha se zangado com ele porque com certeza gostaria de ser enterrada na ilha. As autoridades gregas não permitiram que ele trouxesse o corpo. Nunca mais foi o mesmo, não trabalhava como antigamente, bebia muito, as meninas e a casa ficavam sob os cuidados da avó Clarissa que era viúva e se desdobrava para cuidar dos três.
A morte chegou rápido, Mikolos foi encontrado morto nas proximidades da amurada de pedras que cercava a ilha. As duas meninas  ficaram sob os cuidados da avó, ou melhor, bisavó. Clarissa tinha trinta e dois anos quando os pais de Mikolos morreram em uma tormenta que assolou a ilha no ano de 281 AC, ela cuidou de seu único neto, pois era viúva e só tinha tido um filho, Rinélus – o pai de Mikolos. Os dois meninos, Ciro e Leminis, foram levados para Atenas juntamente com a mãe e nunca mais retornaram.
Clarissa conseguiu criar as duas crianças com muito sacrifício, trabalhava na terra e prosseguia confeccionando artesanato para poder alimentar as netas. As duas meninas eram muito amigas e nunca deixavam de ajudar a avó. Sulaine cuidava de Anele enquanto Clarissa trabalhava na plantação e na horta.
A ilha era muito procurada por mercadores em busca de comprar e vender – víveres e artesanato. Uma ocasião, Mirtilo Ankrone, um rico mercador grego, aportou na pequena ilha com seu filho Iago, de dezessete anos. Por acaso, naquele dia, Anele que já completara dezesseis anos foi ao ancoradouro levar os cestos, que ela, sua irmã e sua avó fabricavam para serem vendidos. Naquele dia, Clarissa amanheceu febril e Sulaine ficara cuidando da avó. Era a primeira vez que Anele fazia esta tarefa sozinha.
Ao se aproximar do ancoradouro, viu uma grande embarcação, mas não suportando o peso da carga que levava sentou-se em uma pedra para descansar. Ao longe, Iago avistou-a, desembarcou e correu em seu auxilio. Anele sentiu seu coração disparar ao ver-se diante daquele jovem alto, de semblante sereno e olhar profundo. Agradeceu a gentileza, mas nem ao menos disse o seu nome. Os cestos foram vendidos. Anele voltou para casa com a sensação que sua vida mudaria, mas não sabia por que.
E de fato, passando um mês deste episódio, Clarissa recebe a visita de Mirtilo e seu filho Iago, solicitando que ela concedesse a mão de sua neta em casamento. Ao saber, Anele ficou radiante. Clarissa, já idosa e cansada, também não pensou duas vezes em aceitar o pedido. Apenas Sulaine protestou silenciosamente, ficou tão triste que caiu de cama, com um mal desconhecido na época – a depressão. Anele, não sabendo o que fazer, pensou em desistir do casamento, mas Iago carinhosamente conversou com Sulaine, dizendo que jamais permitiria que Anele deixasse de vê-las e se as duas quisessem poderiam morar com eles em Creta. Clarissa recusou-se terminantemente, disse que seus antepassados estavam todos enterrados na ilha e era lá que permaneceria até o fim de seus dias.  Com o tempo Sulaine melhorou e disse que a felicidade de Anele era a também a sua.
Iago e Anele se casaram na ilha de Santorini, com a presença de toda a família, inclusive a dele, que foi trazida por Mirtilo. O pai de Iago fez questão absoluta de patrocinar uma grande festa, pois Iago era o seu filho mais velho e seu braço direito. Assim, Anele iniciou sua nova vida, totalmente diferente da anterior, sua casa era enorme, incrustada nas pedras que circundavam a ilha de Creta e eram lambidas pelo Mar Mediterrâneo, ela tinha serviçais e todo o conforto. Iago era um ótimo marido, temente a Deus, muito justo e carinhoso. As crenças que Anele aprendeu ao lado de sua avó foram pouco a pouco sendo substituídas pelas de seu marido e familiares. Cinco meninas nasceram desta união, foram educadas com o auxílio de mestres que Iago fazia questão de contratar para que soubessem o motivo desta vida tão dispara, que privilegia uns e maltrata outros.
Anele nunca mais voltou a sua ilha  natal, mas sua avó e Sulaine, foram trazidas para Creta inúmeras vezes, por Iago, para visitá-los e participar do crescimento das meninas. Sulaine nunca se casou, sua vida após a partida de Anele, se resumiu em auxiliar as crianças da ilha, orar e trabalhar duro, em favor dos menos favorecidos que ela. Após o desencarne de Clarissa, transformou sua casa em um orfanato, onde recebia crianças órfãs e abandonadas, não só da ilha, como também de outras localidades gregas, trazidas por religiosos e até mesmo por Mirtilo e Iago, que a ajudavam financeiramente. Sua vida foi a tradução do que chamamos grosseiramente de abnegação.
Em Creta, Anele também, de um modo diferente, se dedicou a auxiliar os mais pobres e os mais tristes, como dizia sabiamente: – A tristeza é a saída daqueles que buscam, mais não encontram o caminho onde verão e conversarão com Deus.  Ensinava suas filhas que nada do que tinham era realmente delas e sim uma concessão de Deus. As meninas aprenderam muito bem a lição, hoje, não vemos partindo do espírito de nenhuma delas, uma única centelha que seja que denote egoísmo ou discriminação.
Todas elas, de alguma forma, conviveram ou convivem com Anele nesta encarnação, sendo que as duas filhas mais velhas, hoje prosseguem sendo irmãs, duas senhoras fortes e sorridentes, com o amor brotando de seus olhos, o mesmo amor que visualizávamos nas meninas ricas, que moravam na casa mais bela da cidade e que ao lado de seu pai e irmãs distribuíam alimentos às famílias pobres da ilha enquanto a mãe reunia as crianças, filhas destas famílias e ensinava o quanto a fé é imprescindível para que elas pudessem crescer amparadas por um Deus que é tão misericordioso que jamais as abandonaria. Uma delas está desencarnada no momento, mas durante muitos anos dormiu ao lado de sua mãe; a terceira menina, sente seu coração disparar toda vez que pensa na grande amiga e a caçulinha é sua filha, pediu para que o Pai lhe concedesse o privilégio de partilhar novamente a vida terrena com aquela mãe que tanto amou em Constantinopla…em Creta…”

 

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